3 de outubro de 2026
Cultura

Família de índios Kaingang vive em Caçador

Instalados no barracão da antiga Cibrazem, eles produzem cestos e utensílios

Por Rafael Seidel

Instalados no barracão da antiga Cibrazem, eles produzem cestos e utensílios para sobreviver

A cultura jogada em um canto sujo e sem dono. Ao lado de um barracão abandonado, que serve como local de trabalho e residência, vivem 18 índios da tribo Kaingang, entre adultos e criança. A mesma tribo já dominou a nossa região há mais de 100 anos.

O cenário que se avista no barracão da antiga Companhia Brasileira de Armazenamento, a Cibrazem, denota que os hábitos que antes haviam, tiveram que ser deixados para trás, pela força da civilização. As roupas já são as mesmas usadas por qualquer outra pessoa e os costumes já estão adaptados. “Nem a nossa língua meus filhos sabem mais. Na reserva onde morávamos, em Palmas, no Paraná, a língua Kaingang não tinha tanto valor”, lamenta a matriarca da família, dona Jacira.

Para lá, explica ela, iam apenas professoras de Língua Portuguesa. “Sempre que nós pedíamos porque não era ensinada a nossa língua com mais intensidade, elas diziam que o que nós tínhamos que aprender para poder viver era o Português”, revela.

Dona Jacira, com as mãos calejadas e hábeis, não parou o seu trabalho nem um minuto sequer. “Isso aqui é o nosso ganha pão. Mas se me oferecessem para dar aula da língua Kaingang, eu aceitaria”, afirma com um largo sorriso no rosto. “Mas com uma condição: eu precisaria ganhar um salário. Até uns R$ 500,00 estaria bom, eu ficaria trabalhando para o resto da vida”, brinca.

Ao lado de dona Jacira, o seu filho, Juvelino, que pouco fala da língua cultivada pela mãe, afirma que só vieram para Caçador para poder sobreviver. “A vida é muito difícil na Reserva. É muitas pessoas em um pequeno espaço”, disse ele, que também montava um cesto e mostrava uma uarea xi (tesoura pequena).

“Este nosso trabalho é ensinado na escola. As crianças aprendem desde pequenas que é preciso trabalhar e os professores ensinam a fazer estes cestos e outros utensílios”, explica Juvelino.

O chefe da família é Valdomiro, um índio mais reservado, que não pronunciou muitas palavras, mas estava bem atento às conversas.

Nas mãos de todos os adultos, pequenas tiras de plástico começam aos poucos a se moldar. “Nós usávamos a taquara, mas agora com a seca, não tivemos outra alternativa, senão utilizar este material, que não pode ser aproveitado pelas fábricas de reciclagens”, revela Juvelino. 

Os cestos e os utensílios produzidos por eles, são vendidos aqui mesmo em Caçador, de porta em porta. Um cesto médio custa em torno de R$ 25,00.

Quem foram os Kaingang
Para obter mais informações a respeito dos Kaingang, acesse http://www.socioambiental.org/pib/epi/kaingang/kaingang.shtm

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