Sylvio Back, autor do filme A Guerra dos Pelados, quer terminar trabalho ainda em 2007
O cineasta catarinense Sylvio Back, autor do filme A Guerra dos Pelados, inicia, nos próximos meses, as gravações para um documentário sobre a História do Contestado. Viajando por toda a região, Back esteve em Caçador nesta quarta-feira e afirmou que está buscando informações para seu trabalho.
“O Contestado é invisível para o povo brasileiro. Isso é fato”, afirma o cineasta, lembrando que poucos conhecem este, que foi um dos maiores conflitos armados do Brasil e que muitos dos materiais disponíveis não estão em bom estado de conservação.
“Quero recuperar os restos mortais desta guerra que é muita complexa. Nosso país não pode mais ignorar este acontecimento. Claro, que o documentário será apenas uma gota de água, mas meu objetivo é esse, ter imagens disponíveis, além dos inúmeros livros que já existem e que estão por vir”, ressalta.
Além disso, o cineasta afirmou que seu compromisso é com a verdade. “Quero passar muita informação aos telespectadores”, completa. O filme terá cerca de uma hora e meia de duração e, segundo Back, o objetivo é encerrar as gravações ainda em 2007. “Daqui alguns dias, deve chegar aqui em Caçador uma equipe de preparação, que fará os preparativos para o início das filmagens”, revela, salientando que seu roteiro de viagens inclui ainda mais cidades da região, além das que já foram visitadas.
“Escolhi Caçador por considerar este local como sendo um dos epicentros do conflito, juntamente com a região de Três Barras e de Curitibanos”, justifica. O documentário será produzido com incentivos fiscais do Governo do Paraná e de Santa Catarina, com o apoio Logístico da Secretaria de Desenvolvimento Regional de Caçador.
O primeiro filme
Back relembra que o filme A Guerra dos Pelados, baseado em um romance de Guido Wilmar Sace, chamado Geração do Deserto, foi um sucesso na época em que foi lançado, no ano de 1971. “Inclusive, este filme foi selecionado para o Festival de Berlin, na Alemanha e eu estive lá”, conta, lembrando que houve até uma certa desconfiança pelos locais das filmagens.
“Como o filme foi feito em pleno inverno da Região, a paisagem estava muito parecida com a de outros países e muitas das pessoas não imaginavam que no Brasil existia gelo, já que nas filmagens há diversas cenas que isso aparece”, revela, explicando que em uma das partes do filme, os atores teriam que atravessar o rio, de onde corriam partes de gelo, devido ao intenso frio. “Eu mesmo entrei na água, já que eles não queria, porque estavam com medo”, lembra Back.





