Declaração define os ânimos dos vereadores na discussão sobre o CBVC
Um plenário lotado e mais de 3 horas de discussões. Assim foi a sessão desta segunda-feira, 13, na Câmara de Vereadores. Dentre as diversas pautas do dia, estava uma das mais polêmicas e já antes assunto de Audiência Pública: A não-militarização do Corpo de Bombeiros de Caçador.
“Se alguém está querendo militarizar, é a mando do Governo do Estado. Ninguém iria agir por conta própria. O que realmente nós queremos, é que o governador Luiz Henrique da Silveira tome uma atitude e deixe os Bombeiros de Caçador trabalhar”, ressaltou o vereador Telmo da Silva (PP).
No mesmo sentido, o vereador Gilberto Gonçalves (sem partido) foi duro nas suas críticas. “É hora do basta. O prefeito Saulo Sperotto não deveria nem atender o comando da PM para tratar do assunto da militarização dos Bombeiros de Caçador. O que realmente eles (os militares) querem é tornar a nossa Corporação Comunitária, que vai colocá-los mandando e nós apenas obedecendo”, acentua, lembrando que nós temos a melhor estrutura de Bombeiros Voluntários de todo o País.

Já o comandante dos Bombeiros Voluntários de Caçador, Dioclécio de Moura, apresentou diversas justificativas para que não haja mudança na Corporação. “Cada bombeiro voluntário tem um custo para a população de apenas R$ 1,01, enquanto um militar chega ao custo de mais de R$ 25,00. Além disso, em todos os trabalhos realizados pelos Militares, há uma cobrança”, salienta, lembrando ainda que uma Corporação de militares tem um custo de mais de R$ 250 mil ao mês, enquanto a de Voluntários chega a apenas R$ 50 mil.
“O que viemos hoje aqui pedir é que os vereadores entrem em contato com as suas bancadas na Assembléia Legislativa e peçam para que o Projeto de Lei Complementar (PEC) 002-2002 seja aprovado, tirando de uma vez por todas a possibilidade de mudança da nossa Corporação, para militarização”, conclui.
O vereador José Carlos (PP) lembrou ainda que já são poucos os policiais militares que temos em Caçador, e que se houvesse uma militarização dos Bombeiros, provavelmente haveriam alguns remanejados para a Corporação. “Isso nos preocupa, pois se não há policiais para melhorar o nosso efetivo, então não há um porquê de mudar os Bombeiros de Caçador”, enfatiza.
Discussão esquenta
Já o vereador Deoclides Sabedot (PMDB), rebatendo as críticas de Telmo da Silva, afirmou que os trabalhos do Governo do Estado, principalmente através da Secretaria de Desenvolvimento Regional, são em prol dos bombeiros de Caçador. “O PP tem uma facilidade, já que conta com o deputado Reno Caramori na Alesc, que pode fazer pressão para a aprovação da PEC”, destaca.
Sabedot ainda ressalta que o problema está sendo criado aqui em Caçador. “A promotoria de Caçador está gerando toda a confusão e está trazendo um mal-estar para a nossa sociedade. É necessário que o promotor que tem feito isso, venha até aqui na Câmara e explique essa questão”, revela.
Pressão sobre a Assembléia
Ao final das discussões, foi definido então que os vereadores irão fazer pressão às suas bancadas na Assembléia Legislativa, para que a PEC seja aprovada. Se isso não acontecer até o início de dezembro, os Bombeiros de Caçador correm o risco de terem que se adequar à legislação e tornarem-se Comunitários, com os Militares no comando, utilizando a estrutura já montada e a mão-de-obra dos caçadorenses.





