3 de outubro de 2026
Epagri

Diversidade genética assegurada com banco de germoplasma

Por Ângela Cardoso

A estação Experimental da Epagri de Caçador detém o maior acervo de material genético de macieira, pereira e marmeleiro do país

Nos últimos anos, a Estação Experimental da Epagri de Caçador foi responsável pelo lançamento de várias novas cultivares de macieira, como “Catarina”, “Baronesa” e “Imperatriz”, cultivares com melhor adaptação às condições climáticas locais e múltipla resistência às principais doenças. Isso foi possível graças ao chamado Banco de Germoplasma de Pomáceas, o maior acervo de material genético de macieira, pereira e marmeleiro do país.

O Banco foi criado no final da década de 70 por iniciativa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), através do Centro Nacional de Recursos Genéticos (Cenargem), em Brasília – DF.

O acervo que existe em forma de um pomar, começou com algumas dezenas de acessos (cultivares e seleções). Hoje, ele conta com cerca de 460 acessos de macieira, cerca de 250 de pereira e 20 de marmeleiro.

Segundo o engenheiro agrônomo Frederico Denardi, pesquisador da Epagri em Melhoramento Genético, o objetivo prático do Banco de Germoplasma de Pomáceas é assegurar a diversidade genética da macieira, pereira e marmeleiro, visando atender as demandas, tanto dos produtores a curto e médio prazos via suprimento de novas cultivares, quanto da pesquisa a longo prazo no desenvolvimento de cultivares portadoras de novas características de importância agronômica e comercial. “Tomando-se como exemplo a macieira, temos no Sul do Brasil sérios problemas de ordem climática que, de um lado favorecem o desenvolvimento de inúmeras doenças e, de outro, impedem o desempenho agronômico satisfatório das plantas por insuficiência de frio durante o inverno. Graças ao acervo genético, a Epagri, através de seu programa de melhoramento genético, tem desenvolvido inúmeras novas cultivares, muito melhor adaptadas ao clima local e menos suscetíveis as doenças da macieira”, explica.

O Banco de Germoplasma de Macieira conta com inúmeras cultivares portadoras de resistência a várias doenças e pragas, resistências estas que podem ser transferidas através do melhoramento genético para futuras novas cultivares. “Estas novas cultivares, além de mais produtivas, produzem frutos de melhor qualidade e de menor custo para o produtor, mas acima de tudo permitem reduzir a quantidade de agrotóxicos nos pomares, diminuindo com isto os riscos de intoxicações dos consumidores e danos ao meio ambiente”, destaca.

“Até bem pouco tempo, a macieira só era cultivada em três grandes pólos produtores: Fraiburgo e São Joaquim em Santa Catarina e Vacaria no Rio Grande do Sul. Com o desenvolvimento de novas cultivares que necessitam bem menos frio durante o inverno, característica resgatada de materiais genéticos do Banco, atualmente se produz maçãs das variedades Condessa, Princesa, Castel Gala e Eva em locais do Sul do Brasil onde não se recomendava o plantio de maçãs”, completa.

De acordo com o pesquisador, a resistência múltipla às doenças da macieira que existe na cultivar “Catarina”, por exemplo, permitirá reduzir em até 70% os custos de produção dos pomares, resultando em melhor lucratividade aos produtores e preços de venda das maçãs mais baixos.

Implantação em Caçador

A idéia de implantar o Banco de Germoplasma em Caçador surgiu em virtude de se tratar de espécies frutíferas de clima temperado que, por esta razão, requerem estações do ano bem definidas, com invernos frios, para que tenham bom desempenho. “Aliado a isto, a Estação
Experimental de Caçador é ainda propriedade da Embrapa, cedida à Epagri por comodato. Além disto, esta Estação Experimental encontra-se muito próxima de Fraiburgo, principal pólo produtor de maçãs e pêras do Brasil”, informa.

O Banco da Estação de Caçador faz parte de um rol nacional de Bancos de Germoplasma Vegetal espalhados por todo o país e que têm as mesmas funções, que são as de preservar os recursos genéticos das diferentes espécies agrícolas, evitando-se com isto a assim denominada ‘erosão genética’. “Ou seja a perda de características de importância agrícola e comercial com a expansão das fronteiras agrícolas mundo afora”.

Origens dos materiais do acervo genético

Cerca de 85% dos materiais do acervo provém de outros países, como EUA, Inglaterra, França, Itália, Holanda, Alemanha, Israel, Japão - no Hemisfério Norte, e Nova Zelândia, Austrália, África do Sul, Argentina e Peru - no Hemisfério Sul. Em torno de 15% dos acessos são de origem brasileira, principalmente de macieira. Além das 14 cultivares desta frutífera desenvolvidos em Santa Catarina pela Epagri, foram introduzidos acessos desenvolvidos no Rio Grande do Sul (32), no Paraná (3)  e em São Paulo (10).

Os custos de manutenção do banco genético estão sendo arcados pela Epagri. “Apesar de necessitar de recursos financeiros de certa monta para sua manutenção, o acervo reveste-se de grande valor social e científico, pois assegura a sobrevivência por tempo indefinido dos materiais genéticos que o compõe, visando atender não apenas as demandas atuais dos fruticultores, mas também as gerações futuras em busca da solução de novos problemas climáticos e de novas demandas dos consumidores”, relata o pesquisador Frederico Denardi.

AVALIAÇÕES - Cada planta do acervo passa anualmente por avaliações que envolve processos biológicos como a brotação, a floração, a produtividade, a resistência às doenças e pragas das plantas e, finalmente, a qualidade dos frutos.

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