O fitopatologista da Estação Experimental de Caçador, Walter F. Becker caracterizou os sintomas de uma nova doença que está se disseminando pelas lavouras de alho. As plantas amarelecem de uma forma muito repentina quando próximas da colheita, principalmente as duas folhas baixeiras, dando um aspecto amarelado à lavoura. As folhas infectadas secam rapidamente daí a sugestão do nome de Crestamento para esta nova doença.

Plantas de alho cv. Quitéria com sintomas do Crestamento
Bacteriano causado por Pseudomonas viridiflava
O agente causal, uma bactéria gram-negativa, fluorescente foi isolada destas folhas amareladas e quando inoculada artificialmente repetiu os mesmos sintomas. Trata-se da bactéria Pseudomonas viridiflava, ainda não relatada em outras regiões do Brasil onde se cultiva esta hortaliça.
Em setembro de 2004, segundo Becker, foram coletadas no município de Caçador, plantas de alho que apresentavam folhas baixeiras amareladas, com presença de anasarca evoluindo para crestamento. O material foi encaminhado para análise no Instituto Biológico de São Paulo. A bactéria foi identificada como Pseudomonas viridiflava.
O pesquisador caçadorense inoculou artificialmente o isolado Pseudomonas viridiflava em 10 plantas das principais cultivares de alho, sendo Caçador 30, São Valentim, Quitéria e Contestado.
Todas as cultivares inoculadas desenvolveram sintomas com 48 horas. O sintoma típico foi o amarelecimento rápido e progressivo; em 72 horas toda a folha inoculada apresentou coloração amarelo-gema e tombamento.
A ocorrência desta bactéria no Brasil foi relacionada com a cebola. Porém, a literatura informa uma série de outros hospedeiros potenciais como: cebolinha-verde, fava, repolho, milho, soja, sorgo, feijão azuki, feijão Lab-lab, feijão trepador, feijão-de-lima, rábano, espinafre, capim Sudão, trevo vermelho, trigo mourisco e flores como Crista de Galo e Zínia entre outros.
Para o pesquisardor da Epagri/Caçador, como a maioria das culturas de grãos é plantada em sucessão ou rotação com a cultura do alho, a continuação desta prática ao longo dos anos pode ter contribuído para a adaptação desta bactéria ao alho, nas condições e clima do planalto catarinense. “A extensão do problema não está mensurada, mas se percebe a ocorrência da doença em diversos municípios catarinenses onde se cultiva o alho”, ressaltou.
“Pouco se sabe da etiologia desta doença na cultura do alho. Pesquisa envolvendo o modo de transmissão da bactéria e sua sobrevivência será necessária para elucidar as estratégias de controle. Até o momento não há informação específica para o controle desta doença devendo-se tomar as precauções gerais para controle de bacterioses”, finaliza Becker.

Detalhe dos sintomas do Crestamento Bacteriano em lavoura de alho





