A decisão de não renovar o contrato de prestação de serviço firmado entre a Prefeitura de Caçador e o Hospital Maicé para atendimento básico no Pronto Socorro gerou um grande debate ontem na sessão da Câmara de Vereadores. Para tentar aprofundar o assunto, os vereadores aprovaram um requerimento, convocando a secretária Cleony Figur para comparecer ao legislativo na sessão de hoje.

Os representantes do hospital, da Associação Médica e do Sindicato dos Médicos encaminharam ofício, solicitando a utilização da tribuna para falar sobre o assunto. O presidente do Sindicato, Cláudio Araldi, afirmou que a classe foi surpreendida pela decisão e salientou o fim do sobreaviso médico, pois este serviço é mantido com parte do valor do contrato.
Para a presidente da Associação Médica, Maria Lúcia Bertolini, os médicos e a direção do hospital não podem ficar sujeitos a medidas tão drásticas a cada novo titular da Secretaria de Saúde. “O Sobreaviso foi uma conquista de muita negociação e estava servindo até como exemplo para outras localidades e agora nossas conquistas voltam a estaca zero do dia pra noite”, afirmou.
O assessor administrativo do hospital, Gustavo Bublitz Gomes, ressaltou que a Prefeitura várias vezes quebrou as cláusulas do contrato, não encaminhando o médico que era de sua responsabilidade, nem as auxiliares de enfermagem, conforme estava acordado no documento. Os valores repassados ao Hospital eram R$ 42 mil, sendo R$ 22 mil para o Hospital e R$ 20 mil para o pagamento do sobreaviso, ou seja, um médico especialista para atender nos casos em que o plantonista não tiver a especialição necessária.
Caso a decisão seja mantida pelo município, o Hospital Maicé passará a cumprir a sua responsabilidade de atender somente casos de urgência e emergência como acidentados, infartos, etc. Segundo Gomes, o serviço do Pronto Socorro não se limita ao atendimento, pois o hospital possui toda uma estrutura, que não será oferecida no PA da Prefeitura. “No PETI não tem raio-x, não tem laboratório, e com isso a saúde dos caçadorenses vai ser prejudicada”, afirma.
Vereadores acham que decisão foi precipitada
Para o vereador Antônio Gilberto Gonçalves, a decisão demonstra um certo descaso com a comunidade, pois no início do ano quando foi celebrado o contrato, houve grande discussão e agora a equipe do grupo gestor da Secretaria tomou a decisão sem consultar a comunidade. “Esta administração tem o costume de tomar as atitudes e depois achar os culpados, como já fez outras vezes”, ressaltou.
Deoclides Sabedot (PMDB) afirmou que a atual administração venceu as eleições levantando a bandeira da saúde pública, mas que no passado nunca houve tantos problemas. Pelos dados apresentados pela equipe, no mês de agosto o Pronto Socorro atendeu 6.300 pessoas, dando uma média de um atendimento a cada 14 minutos.
Afirmando que o gestor da saúde é o prefeito, Marcos Creminácio (PT) disse que o mais correto seria convocar a secretária Cleony Figur para a sessão de hoje, para que exponha os motivos e apresente suas justificativas, medida aprovada pelos demais integrantes.





