29 de outubro de 2026
Superação

Policiais cadeirantes viram atletas

Equipe do Rio de Janeiro no handebol de cadeira de rodas é formada por militares

Por Caçador Online

Há pouco mais de um ano um projeto carioca vêm mudando a vida de algumas pessoas. Policiais Militares do Estado do Rio de Janeiro transformaram-se em atletas após serem atingidos em troca de tiros ou acidentes, que ocasionaram a perda parcial de movimentos.

A equipe carioca que esteve em Caçador nestes quatro dias do Campeonato Brasileiro de Handebol em cadeira de rodas, é formada por policiais militares reformados, filhos de policiais ou parentes, que de alguma forma sofreram lesões nos membros inferiores (pernas) ou na medula.


Sargento Adinéia e Leandro Carvalho

De acordo com uma das responsáveis pela delegação, sargento Adinéia Trubat, no início do projeto a idéia era manter apenas para policiais e familiares, mas que agora já está aberto para a comunidade.

Os trabalhos não envolvem apenas o handebol. Os participantes podem atuar no tênis de mesa, natação, atletismo, hugby e basquete, de acordo com suas possibilidades.

“O projeto motivou muitas pessoas que estavam paradas após seus acidentes de trabalho. Com o ingresso no projeto, a qualidade de vida delas mudou. Algumas tinham problemas com álcool, drogas, depressão, e isso vai sendo superado através do esporte”, explica a sargento.

Alguns policiais militares reformados continuam atuando no PMERJ. Como é o caso do policial Leandro Carvalho, de 40 anos, baleado em 1998 durante uma troca de tiros em uma favela no Rio de Janeiro. Ele teve lesão medular, e encontrou no esporte o retorno de uma vida saudável.

“Quando caminhava eu jogava futebol como brincadeira. Depois do acidente veio a natação e o handebol. Mas fiquei um tempo parado sem fazer nada, e isso é muito ruim. Depois que encontrei esportes para cadeirantes, minha vida melhorou 100%. Posso dizer que eu era dependente e agora sou independente”, declara.

Carvalho diz isso porque após encontrar nova motivação de vida, além de continuar atuando na PM no setor de vigilância eletrônica, também voltou a morar sozinho. “Hoje eu lavo, passo roupa, cozinho, tomo banho e me visto sozinho. É outra vida e nem penso em parar de praticar esportes, porque se parar, voltam os problemas de saúde e mentais. O esporte faz parte de nossas vidas hoje”, enfatiza.

Edinéia e Carvalho elogiaram as instalações do Colégio Paulo Schieffler em Caçador no quesito acessibilidade para cadeirantes. “São coisas que beneficiam muito nossa locomoção, todos os locais tem acessos com rampas e isso é bom. Também encontramos pontos da cidade já adaptados para nós, com alguns defeitos de projetos, mas pelo menos foi feito. No Rio de Janeiro a situação está complicada. Não é fácil se locomover lá”, declara o policial militar.

A equipe do Rio de Janeiro também deu show em quadra, conquistando o título de campeã brasileira na categoria B, destinada a cadeirantes com lesões medulares.

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