A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc)
avalia que a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre as importações
originárias do Brasil seria prejudicial à economia catarinense.

A recomendação do Escritório do Representante Comercial dos
Estados Unidos (USTR) de impor taxas produtos brasileiros sob a Seção 301 do
Trade Act de 1974 tem potencial para impactar as indústrias catarinenses e a
economia de Santa Catarina, uma vez que as novas tarifas estão direcionadas a
produtos manufaturados, poupando apenas setores específicos já afetados por
outras normativas (como aço e alumínio e algumas commodities).
“A recomendação do USTR é especialmente preocupante para
Santa Catarina pelo perfil das exportações do estado para os Estados Unidos,
mais focada em produtos manufaturados”, afirma o presidente da Fiesc,
Gilberto Seleme.
Análise preliminar da Fiesc aponta que apenas entre 3,2% e
5,8% das exportações catarinenses para os EUA estariam isentas das novas
tarifas recomendadas pelo USTR. Porém, existe um conjunto de produtos que já se
encontra sujeito às tarifas globais da Seção 232 e que, por isso, não estaria
sujeito à nova taxação. Assim, o percentual de produtos isentos na pauta de
exportação de SC fica entre 25,2% e 41,2%, dependendo da conversão entre as
classificações dos EUA e do Brasil.
A Federação orienta que os exportadores verifiquem, de forma
individualizada, se os produtos que exportam constam na lista como exceção, já
que ela contempla cerca de 1,7 mil produtos.
Seleme destaca que a entidade está preparada para contribuir
com a defesa da indústria exportadora catarinense. Como a recomendação do USTR
ainda não constitui uma decisão definitiva e uma consulta pública foi aberta
antes da adoção final das tarifas, a Fiesc apoiará os segmentos afetados
coordenando ações em conjunto com a Confederação Nacional da Indústria
(CNI).
A Fiesc e a CNI seguem acompanhando o tema e atuando junto
às autoridades e ao setor produtivo dos dois países para defender soluções que
preservem e fortaleçam a parceria econômica bilateral entre os dois países.