3 de outubro de 2026
Caçador

Dados sobre violência sexual contra crianças e adolescentes preocupam

Números foram apresentados na Câmara Municipal pela conselheira tutelar Gladis Fontana

Por Ass. Imp. Câmara de Caçador

Somente nos últimos seis meses, 51 casos de suspeita de violência sexual contra crianças e adolescentes foram registrados em Caçador. A informação foi repassada pela conselheira tutelar Gladis Marisa Fontana, durante participação na sessão ordinária da Câmara de Municipal desta terça-feira, 20, a convite do vereador Clayton Zanella. O seu pronunciamento no espaço da Palavra Livre, em nome do colegiado do Conselho, foi alusivo ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

No mesmo período, o Conselho Tutelar contabilizou 1.232 atendimentos relacionados a diferentes formas de violência, negligência ou conflitos envolvendo crianças e adolescentes. “Esses dados mostram que a violência está mais próxima do que imaginamos. Não podemos silenciar. Não podemos cruzar os braços”, afirmou.

Gladis destacou que a entidade é a principal porta de entrada para denúncias, mas lembrou que a atuação depende de uma ampla rede de proteção integrada. Essa rede inclui instituições como escolas, unidades de saúde, CRAS, CREAS, Ministério Público, Polícia Civil e Militar, entre outros.

Ela explicou ainda que o sistema de garantia de direitos atua em três eixos: defesa, promoção e controle social. A Câmara de Vereadores, segundo ela, tem papel essencial no último eixo, especialmente no que diz respeito à fiscalização e à definição de orçamentos para políticas públicas voltadas à infância e juventude.

Entre os dados apresentados, destacam-se:169 atendimentos por conflito familiar; 225 casos relacionados à negligência de políticas públicas; 37 casos envolvendo uso de drogas por responsáveis; 20 situações de violência psicológica e 17 de violência física; e 10 acolhimentos institucionais de crianças e adolescentes.

A conselheira também chamou atenção para o desconhecimento de muitos cidadãos sobre a gravidade da situação ou o medo de denunciar. “É nosso dever denunciar. E quem denuncia tem o direito ao anonimato. Não precisa se identificar”, reforçou, citando os canais disponíveis: Conselho Tutelar, Polícia Militar e o Disque 100.

“Não estamos falando de estatísticas. Estamos falando de seres humanos, de famílias, de sonhos. Se a gente se cala, a violência continua. Proteger nossas crianças é uma responsabilidade coletiva e urgente”, completou.

O vereador Clayton Zanella parabenizou as conselheiras tutelares pelo trabalho incansável e destacou sua própria experiência como ex-conselheiro e defensor da causa. Ele ressaltou a importância de fortalecer as políticas públicas de proteção à infância e adolescência em Caçador, apontando deficiências no sistema de Justiça, nas estruturas de saúde, educação e assistência social, que hoje enfrentam sobrecarga e longas filas de espera. Com dados alarmantes, como o acolhimento de dez crianças em apenas três meses, o vereador alertou para a gravidade da violência sexual infantil, muitas vezes praticada por pessoas próximas da vítima. Ele reforçou a necessidade de novas legislações, mais profissionais atuando na rede de proteção e o compromisso contínuo da Câmara na luta por dignidade e segurança para as crianças e adolescentes do município.

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