A decisão do PSD de lançar Ratinho Jr como candidato à
Presidência em 2026 não caiu como uma surpresa nos bastidores, mas muda
bastante o jogo – especialmente em Santa Catarina. A decisão funciona como
peça-chave de um tabuleiro que já vinha sendo montado nos bastidores e que
agora começa a ganhar contornos mais nítidos.

O acordo fechado por Gilberto Kassab com o governador do
Paraná encerra um período de indefinição nacional do PSD. Kassab até
admitia, lá atrás, abrir mão de candidatura própria se o governador de São
Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), resolvesse disputar o Planalto. Como
isso não vai acontecer – Tarcísio deve mesmo buscar a reeleição em São Paulo -,
o partido decidiu seguir caminho. E, ao fazer isso, deixa claro que não estará
no palanque de Flávio Bolsonaro, o nome ungido pelo pai para representar o PL
este ano.
Nos bastidores do PSD, a leitura é menos ideológica e mais
matemática. Dirigentes relatam que pesquisas internas feitas nos últimos meses
mostram uma mudança importante no humor do eleitor. O eleitor radicalizado,
preso aos polos, diminuiu. Cresceu o grupo que quer sair da briga permanente
entre direita e esquerda. É um eleitor que procura algo mais previsível, menos
ruidoso. E é nesse espaço que Ratinho Júnior aparece competitivo.
Em Santa Catarina, esse movimento tem peso extra. Primeiro
pelo fator regional: Paraná e Santa Catarina dialogam economicamente,
culturalmente e politicamente. Mas, principalmente, porque o PSD catarinense
precisava de um candidato nacional para destravar seu próprio projeto estadual.
Segundo relatos internos, quando o PSD cruza cenários com
Ratinho Jr para presidente e João Rodrigues para governador, o resultado anima.
Não se trata só de números frios, mas de ambiente político. Ter o “55” na urna
para presidente cria palanque para João Rodrigues, dá identidade e aumenta a
disposição interna para entrar na disputa de verdade.
Mesmo com o PL forte no Estado, a avaliação dentro do PSD é
clara: a existência de um projeto nacional próprio muda o jogo. Dá segurança,
reduz dependência e fortalece a pré-candidatura de João Rodrigues. No fim das
contas, Ratinho Júnior pode até não ser favorito nacional hoje. Mas, para Santa
Catarina, sua candidatura já cumpre um papel decisivo. Ela organiza o
tabuleiro, acelera decisões e coloca o PSD em modo eleitoral.
Fonte: NDMais