O artesanato da Regional Centro-Norte do Sebrae/SC
conquistou reconhecimento nacional. A Associação Artesãos de Pêssankas do Vale
do Iguaçu (APVI), de Porto União, está entre as 100 vencedoras da 6ª edição do
Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato e é a única representante catarinense
selecionada. A unidade produtiva contemplada é a da artesã de pêssankas Angela
Zapotoczny, integrante da Associação. A cerimônia de entrega no dia 11 de
novembro no Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB Sebrae), no Rio
de Janeiro.

Promovido pelo Sebrae, o prêmio reconhece unidades
produtivas artesanais que se destacam pela competitividade, qualidade,
identidade cultural, inovação, sustentabilidade, gestão e potencial de mercado.
Nesta edição, os 100 vencedores representam 22 unidades da Federação. A Região
Nordeste concentrou 44 premiados, enquanto Minas Gerais foi o estado com maior
número de vencedores, somando 21 selecionados.
Para Angela, a conquista foi recebida com surpresa,
especialmente por colocar a Associação como a única representante de Santa
Catarina entre os vencedores. “Nós ficamos muito felizes em ser contemplados
nesse prêmio e mais ainda por sermos o único representante de Santa Catarina.
Então, foi uma grata surpresa”, conta.
Angela explica que, embora sua unidade produtiva tenha sido
a contemplada no processo de seleção, o reconhecimento representa o trabalho
desenvolvido coletivamente pela entidade. “O prêmio é para a Associação
Artesãos de Pêssankas do Vale do Iguaçu. Eu sou a unidade produtiva
contemplada, porque cada associado conta como uma unidade produtiva, mas
gostaria que esse reconhecimento ficasse em nome da Associação”, explica.
A própria inscrição começou de maneira inesperada. Segundo a
artesã, inicialmente a Associação avaliou que aquele talvez não fosse o momento
adequado para participar, considerando o trabalho necessário para cumprir as
etapas e a incerteza quanto à classificação. A contadora da entidade,
entretanto, realizou a inscrição e, após a aprovação na primeira fase, o grupo
assumiu a continuidade do processo.
“Fomos passando pelas fases. Quando passou da primeira, ela
repassou para nós e aí continuamos a preencher os requisitos. Fomos ficando bem
surpresos porque estávamos sendo aprovados nas etapas”, relata Angela.
O reconhecimento coloca em evidência um trabalho dedicado à
preservação das pêssankas, ovos decorados artesanalmente a partir de técnicas e
simbologias transmitidas entre gerações e vinculadas à tradição cultural
eslava. O trabalho desenvolvido pela Associação busca preservar esse patrimônio
e, ao mesmo tempo, ampliar as possibilidades de comercialização dos produtos.
Uma das peças inscritas para a premiação evidencia
justamente a relação entre a tradição milenar da pêssanka e a identidade do
território onde o trabalho é desenvolvido. Angela conta que a Associação
incorpora elementos regionais à simbologia tradicional, em um processo de
adaptação cultural que preserva as características da arte. A peça apresentada
ao prêmio trouxe a gralha-azul e o pinheiro-araucária, dois símbolos fortemente
associados à região. “Uma das peças que foi inscrita para a premiação foi uma
pêssanka de simbologia regional, que é uma das características do nosso grupo e
do nosso trabalho. Nós inserimos elementos locais dentro da simbologia milenar
da pêssanka. Temos um processo de aculturação dentro dessa arte milenar”, explica
Angela.
Segundo a artesã, essa identidade regional aparece em
diferentes peças produzidas pelo grupo. Além da gralha-azul e da araucária, são
incorporados elementos como erva-mate, butiá, imbuia, carqueja, quero-quero,
beija-flor e outras referências locais. A erva-mate também é utilizada no
tingimento natural das peças. “Procuramos colocar todos esses nossos símbolos
representando de onde nós viemos”, acrescenta.
Porto União também recebe, anualmente, na semana da Páscoa,
a maior feira de pêssankas do Brasil. Realizado pela Associação, o evento reúne
mais de 800 ovos decorados, proporcionando ao público contato com diferentes
trabalhos e contribuindo para a divulgação e comercialização dessa manifestação
cultural.
Angela explica que a entidade vem recebendo apoio de
diferentes instituições. No Sebrae/SC, uma das frentes está relacionada à
inserção na rota turística Encantos do Planalto Norte, trabalho acompanhado
pela consultoria do Sebrae. A proposta amplia a possibilidade de apresentar as
pêssankas aos grupos turísticos que visitam os empreendimentos da região.
A artesã também cita o contato com o Sebrae/SC para dar
continuidade às discussões relacionadas a um diagnóstico favorável para uma
possível Indicação Geográfica (IG) vinculada ao artesanato. A Associação também
recebe apoio da Epagri em ações relacionadas a negócios e mercados e integra a
Rede Artesol, iniciativa nacional ligada ao artesanato cultural brasileiro.
Para a gerente regional Centro-Norte do Sebrae/SC, Aglaes
Beatriz Meirelles da Silva, a conquista demonstra a capacidade dos produtos com
identidade territorial de alcançar novos espaços. “Ter a única representante
catarinense entre os 100 vencedores do país é motivo de muita satisfação para a
nossa Regional. É um reconhecimento que valoriza o trabalho da Associação, a
trajetória de seus artesãos e uma expressão cultural preservada por gerações.
Quando conseguimos associar identidade, qualidade, gestão e acesso a mercado,
criamos condições para que o artesanato também se fortaleça como atividade
econômica e gere novas oportunidades para quem vive desse trabalho”, destaca.
Visibilidade para transformar reconhecimento em renda
Agora, a expectativa da Associação é aproveitar a projeção
proporcionada pelo Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato para ampliar a presença
das pêssankas no mercado nacional. A entidade já mantém relações comerciais com
lojistas que realizam compras periódicas, mas pretende alcançar novos
compradores e ampliar o retorno financeiro proporcionado pelo artesanato. “O que
a gente quer agora é visibilidade para alcançar novos mercados, conseguir mais
retorno financeiro, colocar nosso produto no mercado, vender mais e conseguir
sobreviver da pêssanka”, afirma Angela.
Além da comercialização direta das peças, a Associação também
desenvolve oficinas de formação, aliando a preservação da técnica à preparação
de novos artesãos. “Além da geração de renda com a venda direta da produção das
pêssankas, nós também trabalhamos com oficinas de formação, tanto para a
preservação dessa arte quanto para a formação de novos artesãos, que também
possam vir a gerar renda com esse trabalho”, explica Angela.
Além do reconhecimento nacional, os vencedores do Prêmio
Sebrae TOP 100 de Artesanato poderão utilizar o selo oficial da 6ª edição pelo
período de três anos e terão oportunidades de participação em catálogos, feiras
e ações de promoção comercial.