O Meio Oeste catarinense tem o maior consumo de energia
elétrica por unidade consumidora da indústria em Santa Catarina, mas convive
com a falta de interligação do sistema de alta tensão entre Caçador e a região
Norte do Estado. O gargalo energético abre a lista de seis prioridades que o
setor produtivo da região apresentou nesta quinta-feira, 10, a candidatos a
deputado estadual e federal, durante o roadshow do Voz Única 2026 da Facisc,
realizado na sede da Acic, em Caçador.

O documento reúne demandas de 12 associações empresariais do
Meio Oeste — de Arroio Trinta, Brunópolis, Caçador, Campo Novo, Curitibanos,
Fraiburgo, região Oeste Catarinense, Baixo Vale do Rio do Peixe, Salto Veloso,
Tangará, Treze Tílias e Videira — e chegou a 93 pleitos, sendo 70 formulados
nesta edição e 23 mantidos desde 2022. O levantamento recebeu votos de
empresários associados e resultou em seis prioridades regionais, que passam a
integrar a agenda que a Federação das Associações Empresariais de Santa
Catarina (Facisc) leva às campanhas eleitorais deste ano.
Os seis pleitos prioritários do Meio-Oeste
1. Energia — Interligação do sistema de energia elétrica de
alta tensão de Caçador à região Norte do Estado, com novas linhas de
transmissão e subestação.
A região tem o maior consumo industrial por unidade
consumidora de energia elétrica de Santa Catarina, com 1.329,5 MWh por unidade,
mais do triplo da segunda colocada, a regional Oeste (408,1 MWh). Em volume
total, o Meio Oeste é o terceiro maior consumidor industrial do Estado, com 1,7
milhão de MWh em 2025, alta de 45% na última década. O número de unidades
consumidoras da indústria também cresceu, de 989 em 2015 para 1.307 em 2025,
avanço de 32%.
2. Saúde — Ampliação dos recursos para os hospitais do
Meio-Oeste, com regionalização da média e alta complexidade, aquisição de
equipamentos e consolidação de especialidades de referência.
A regional tem a terceira maior taxa de mortalidade por
condições sensíveis à atenção primária entre as 12 regionais da Facisc, 149
óbitos a cada 100 mil habitantes por doenças que poderiam ter sido evitadas com
atendimento básico adequado, atrás apenas da Serra Catarinense (173) e do
Planalto Norte (170).
3. Inovação — Automação dos geradores antigranizo da Defesa
Civil e ampliação da área de cobertura do sistema de proteção agrícola.
O agronegócio do Meio Oeste soma produção de R$ 16,6
bilhões, emprega 178 mil trabalhadores e exporta US$ 1,6 bilhão por ano, o
terceiro maior volume de produção agropecuária de SC e o segundo maior
exportador do setor no Estado, com 19% das vendas internacionais catarinenses
no segmento. A exposição da lavoura a eventos climáticos coloca a proteção
contra granizo entre os fatores que sustentam esse resultado.
4. Segurança pública — Integração da rede de monitoramento
digital dos municípios do Meio Oeste para a construção de um cercamento de
segurança pública da região.
Entre 2015 e 2025 a região registrou 4,1 mil vítimas de
crimes contra a vida, média de 376 por ano — número entre os cinco maiores do
Estado. No período, foram contabilizadas 1.379 tentativas de homicídio, 772
mortes no trânsito, 470 homicídios dolosos, 131 tentativas de feminicídio e 52
feminicídios consumados.
5. Infraestrutura rodoviária — Construção dos anéis viários
de Joaçaba e Curitibanos.
O pedido acompanha o peso econômico da região: com PIB de R$
35,1 bilhões, 6,4% do total catarinense,
e a terceira posição estadual em consumo industrial de energia, o Meio Oeste concentra
fluxo intenso de veículos de carga, hoje obrigados a atravessar os centros
urbanos de Joaçaba e Curitibanos.
6. Infraestrutura rodoviária — Pavimentação asfáltica da
SC-465, no trecho entre Salto Veloso e Treze Tílias. É o único trecho da SC-465
ainda em leito natural, sem pavimentação. A condição deixa a via sem malha
patrulhada, sem monitoramento e sem atendimento a acidentes, o que eleva o
risco de sinistros e a propensão a crimes no local.
O vice-presidente regional do Meio Oeste na Facisc, Eliandro
Pazin, coordenou o levantamento dos pleitos ao lado das associações
empresariais das cidades da região explicou que as seis demandas definidas no
Voz Únicas são prioritárias na região. "Não existe a maior prioridade
entre os seis pleitos definidos. Cada pleito está interligado com o outro e
completam as principais necessidades definidas pelos empresários associados das
associações empresariais das 12 cidades da nossa regional. Isso é o que
concluímos que trará desenvolvimento para toda a nossa região", afirma.
Para o diretor do Voz Única, Milvo Zancanaro, a cobrança
apresentada aos candidatos vem alicerçada de um apoio, de uma orientação e de
uma parceria para passar as informações. A partir da escuta dos empresários, o
programa organizou as demandas em oito eixos temáticos, dos quais derivam as
prioridades estaduais do Voz Única. "O Voz Única foi construído com
trabalho árduo. Buscamos os Voz Única dos anos anteriores e ouvimos empresários
de todo o Estado através das associações", explica.
O diretor do Voz Única, Jeferson Argenton, apresentou o
roteiro de trabalho do programa em 2026, dividido em três frentes: a criação de
uma plataforma digital de monitoramento dos pleitos, o desenvolvimento do Voz
Única Municipal, com normas próprias já aplicadas na apresentação de demandas a
candidatos a prefeito , e a realização do Voz Única 2026, com votação e
participação dos empresários associados iniciadas ainda no ano anterior.
"O evento de hoje é um exemplo de democracia, de união e de diálogo, porque
reúne o setor produtivo e os candidatos a deputado estadual e federal",
afirma o presidente da Facisc, Elson Otto. Para ele, a escuta permanente dos
empresários e das associações sustenta o programa e quando as associações
empresariais e o poder público andam juntos, a cidade cresce e o Estado se
desenvolve.
Meio-Oeste em dados
O Meio Oeste responde por 6,4% do Produto Interno Bruto
catarinense, com PIB estimado em R$ 35,1 bilhões, a sexta maior economia entre
as 12 regionais da Facisc. A região reúne 525,2 mil habitantes (4% da população
do Estado, também a sexta maior) e 66,8 mil CNPJs (5% do total catarinense,
quinta maior quantidade), com 161,3 mil empregos formais (6% de SC). A
arrecadação federal na região soma R$ 4,2 bilhões e a de ICMS chega a R$ 1,2 bilhão
— ambas também entre as seis maiores do Estado.
Circuito estadual
O encontro em Caçador foi a nona etapa do circuito estadual
do Voz Única 2026, que já passou por Mafra, Guaramirim, Lages, Criciúma, São
José, Chapecó, São Miguel do Oeste e Rio do Sul. O roteiro segue para Brusque,
em 15 de setembro, e se encerra em 17 de setembro, em encontro com candidatos
ao Governo do Estado e ao Senado. A participação é gratuita e a inscrição
prévia é feita pelo site https://vozunica.com.br/