Para alguns a dança é uma maneira de dar forma poética a
diferentes temas, para o Grupo Experimental de Dança de Pinhalzinho, ela é
também o ato de fiar a memória e valorizar o território. Com o projeto
EntreNós, o grupo se prepara para uma turnê gratuita que ocupa espaços
culturais do oeste e meio-oeste catarinense. A circulação iniciou no domingo,
29, em Joaçaba e nesta segunda acontece em Caçador, A circulação segue ainda
para os municípios de Concórdia e São Miguel do Oeste, com apresentações
gratuitas e acessíveis. Os ingressos já estão disponíveis pelo link: https://linktr.ee/ExperimentalPzo
.

“Estamos muito felizes em iniciarmos essa circulação pela
nossa região, uma pesquisa conectada com o nosso lugar, trazendo referências
regionais, que conversam diretamente com a nossa memória afetiva, com a ligação
com nossas ancestrais a partir do artesanato de trançado dos fios, além de um
mergulho em histórias mitológicas que contribuíram muito para essa criação”,
pontua a Diretora Paola Zonta.
Contemplado pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à
Cultura 2024, realizado pela Fundação Catarinense de Cultura com o apoio do
Governo do Estado de Santa Catarina, - uma das principais políticas públicas
culturais desenvolvidas no Estado - o projeto não apenas apresenta um
espetáculo, mas documenta e ressignifica a cultura imaterial do oeste
catarinense, democratizando o acesso à arte em uma das áreas do estado com
menor oferta de circulação de espetáculos profissionais.
De acordo com Paola, “é a partir da investigação sobre o
território, sobre o acesso às memórias regionais e afetivas, estimulando a
consciência desse valor, que o projeto procura legitimar, valorizar e
fortalecer o saber regional e a cultura local através da cena”.
Pesquisa
Além das inspirações regionais, a pesquisa adentra histórias
e mitologias como as "Fiandeiras do Destino", por exemplo. O
espetáculo percorre os ciclos da vida: o nascer, os laços que criamos, as
heranças que recebemos e o inevitável: partir. A dramaturgia não nasceu do
abstrato, mas de uma imersão profunda iniciada em 2020, que incluiu entrevistas
com artesãs locais. Os relatos, os cheiros e as texturas do tear, do tricô, do
crochê, do macramê e os movimentos de criação no processo artesanal, foram as
bases para a criação da cena.
No palco, os bailarinos habitam uma cenografia feita de fios
que se entrelaçam com os próprios figurinos — em sua maioria, produzidos
artesanalmente. É um convite para perceber que o que permanece não é o fio,
individualmente, mas a trama tecida em coletivo.
Refletindo o cuidado presente em cada ponto, o projeto foi
desenhado para ser acessível. As apresentações contarão com audiodescrição ao
vivo para pessoas com deficiência visual e os bate-papos, após as sessões,
terão intérprete de Libras. O espetáculo tem indicação etária de 10 anos, com
um convite especial para que mulheres idosas e artesãs locais, para que ocupem
a primeira fila desta celebração.
Grupo
No coração desta proposta e pesquisa está o Grupo
Experimental de Dança de Pinhalzinho, sob direção da pesquisadora Paola Zonta.
Mais do que um grupo de performance e dança, o coletivo consolidou-se desde
2015 como um pólo de resistência e inovação na pesquisa das artes cênicas na
região oeste. Sua importância para a região é vital: ao operar em nível
semiprofissional com uma pesquisa continuada, o grupo preenche uma lacuna histórica
na criação e produção cultural regional em dança.
Programa-se
Os ingressos gratuitos são limitados e já estão disponíveis
para todas as cidades por meio do link: https://linktr.ee/ExperimentalPzo
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30/03 - Segunda-feira - Caçador
Câmara de Vereadores de Caçador
Horário: 19h
Indicação etária: 10 anos.
Para outras informações acesse o projeto no Instagram: @entrenos_experimental.