O filme catarinense “Um Dia Extraordinário”, dirigido por
Cíntia Domit Bittar, estreia em rede nacional nesta segunda-feira, 23, às 23h.
O filme será exibido na “Tela Quente”, logo após o “BBB”. Após a transmissão em
TV aberta para todo o Brasil, o filme ficará disponível na Globoplay durante
uma semana, inicialmente. Também estará em destaque no dia no “Cine BBB”,
disponível para os participantes do reality show assistirem na casa.

Na trama da produtora catarinense Novelo Filmes em
coprodução com a Globo Filmes, a rotina da jovem agricultora Moira é abalada
pela aparição de um agroglifo em sua pequena fazenda, onde vive com Ivete, sua
mãe octogenária fascinada pelo universo extraterrestre. O evento desperta a
curiosidade da vizinhança e provoca o inesperado reencontro com a irmã Cecília
e o irmão Maurício, forçando o enfrentamento tanto da distância que cresceu
entre a família quanto do inevitável envelhecimento da matriarca.
A diretora Cíntia Domit Bittar (“Virtuosas”, 2025, vencedor
do Prêmio Netflix da 49ª MostraSP 2025; "Baile", qualificado ao Oscar
2021; entre outras produções) conduz um elenco catarinense de peso, desde a
veterana atriz de teatro e de televisão brasileira Margarida Baird, radicada em
Santa Catarina desde os anos 1980, à atriz Paula Braun, misturado a talentos
como a caçadorense Alana Bortolini, além de Valdir Grillo, Emilly Vicente,
Andres Prestes e Sarah Motta, e elenco local pesquisado nas cidades. Cintia
assina o roteiro, ao lado de Maria Augusta V. Nunes. O filme foi financiado
através da Lei do Audiovisual / ANCINE.
As filmagens se deram em grande parte em Abelardo Luz, no
Oeste catarinense, mas também em Florianópolis e Bom Retiro. A trama mistura
drama familiar e realismo regional para contar a história de um reencontro
marcado por memórias, afeto e um misterioso agroglifo que surge na plantação da
protagonista.
O filme transita sutilmente entre mistério, ficção
científica, cotidiano rural, comédia e drama familiar. “Aqui, resolvemos partir
do surgimento de um agroglifo para explorar um drama familiar agridoce,
buscando equilíbrio entre sutilezas e fortes emoções. O elemento de ficção
científica, portanto, não é o tema, mas o catalisador”, afirma a
diretora.
“Um Dia Extraordinário” integra o projeto “Telefilmes
Regionais", da rede nacional e das emissoras regionais, que selecionou,
desenvolveu e coproduziu histórias locais com produtoras independentes de sete
estados do país, mais o Distrito Federal. No caso do telefilme catarinense a
coprodução é da NSC TV. Os telefilmes fazem parte de uma leva de oito produções
que fizeram parte da iniciativa este ano. No ano passado foram cerca de 45
milhões de espectadores. As obras são produções de ficção com até 50 minutos de
duração.
Trama transita entre gêneros
A trama acompanha Moira, uma jovem agricultora que permanece
no campo cuidando da mãe idosa, enquanto os irmãos seguiram a vida em outras
cidades. A aparição de um enorme agroglifo, figura geométrica desenhada na
plantação, rompe a rotina das duas e provoca o retorno dos irmãos, obrigando a
família a encarar conversas adiadas sobre envelhecimento, cuidado e
distância.
O enredo do filme se passa em um dia dessa família, no qual
Moira precisa lidar, ao mesmo tempo, com o fenômeno misterioso e com as tensões
familiares. A narrativa transita entre gêneros e aposta em um drama agridoce,
daqueles que despertam identificação e reflexão.
O agroglifo, aliás, não é apenas um elemento visual. A
diretora conta que o interesse pelo tema vem de 2015, quando esteve na região
para registrar o fenômeno em um documentário. “Eu sempre pensei em aproveitar
esse tema no universo da ficção. De ter esse sinal como um disparador da trama.
E finalmente surgiu a oportunidade”, revela Cíntia.
Regionalismo, sotaque e história local
Um dos grandes desafios do projeto foi retratar Santa
Catarina sem ser caricata. A proposta, segundo a equipe, foi investir em um
regionalismo sutil, com sotaques e gírias preservados, referências culturais e
paisagísticas.
“É uma responsabilidade muito grande apresentar sotaques
pouco escutados na cinematografia brasileira. E dá um orgulho também”, comenta
Cíntia, que cresceu em Caçador, no Meio-Oeste.
A equipe do filme buscou trabalhar com a memória afetiva
catarinense, e isso se refletiu na escolha do figurino, das comidas para a cena
do jantar e também dos objetos, muitos trazidos da casa do pai da diretora.
O filme percorre paisagens do Oeste, da Serra e do Litoral,
reforçando o movimento tão comum entre famílias catarinenses que se espalham
pelo Estado, mas mantêm os laços.
Personagens que atravessam gerações
Moira, interpretada por Alana Bortolini, é descrita como uma
mulher forte que escolheu ficar no campo. Filha temporã, vive uma relação
intensa com a mãe, enfrentando as dores da perda gradual de memória.
A matriarca, vivida por Margarida Baird, é uma senhora
independente, fascinada pelo céu e por extraterrestres, obsessão que dialoga com
o surgimento do agroglifo. “Ela não gosta de estar esquecida. É uma senhora que
gosta de viver”, define a atriz, que escolheu Santa Catarina para morar há mais
de 40 anos e destaca a hospitalidade da região.
Já Cecília, interpretada por Paula Braun, é a filha que foi
embora e encontra dificuldade em voltar, tanto pela rotina quanto pelo impacto
de ver a mãe envelhecer. “A gente acaba sendo atropelado pela vida e vai
esquecendo esses momentos extraordinários que a gente passa com as pessoas que
fazem parte da história e que a gente ama”, reflete a atriz.
Departamento de arte reproduziu um agroglifo de 105
metros
A direção de arte, por Dicezar Leandro, também enfrentou um
desafio inédito, construir um agroglifo real para as gravações - e com uma
pequena equipe. O desenho, com 105m x 53m, foi criado com precisão
milimétrica, usando estacas, cordas e até simulando um “compasso gigante” para
garantir a simetria. A equipe precisou lidar com plantas ainda verdes, chuva e
condições climáticas instáveis até chegar ao resultado.
O processo contou com o auxílio de imagens de drone para
acompanhar a formação do desenho no campo.
Cinema independente na TV aberta
Produzido pela Novelo Filmes em coprodução com a Globo
Filmes, o telefilme nasceu de um convite voltado a produções regionais para a
TV aberta. O desafio era criar uma história inspiradora, com classificação
livre, intergeracional, forte identidade local, e onde a televisão ocupasse um
papel relevante na narrativa.
Para a equipe, levar um filme catarinense à televisão
nacional é um marco. “Ainda mais considerando a vitrine da Tela Quente, tão
importante na difusão do cinema para milhões de brasileiras e brasileiros ao
longo de tantas gerações”, afirma a diretora.
Com cerca de 80 profissionais envolvidos entre produção e
pós-produção, o projeto também movimentou a economia local durante as filmagens
no Oeste, Serra e Litoral, impactando setores como hospedagem, alimentação e
comércio.
A Novelo Filmes é uma produtora catarinense criada em 2010,
formada pela diretora e mais as sócias Ana Paula Mendes e Maria Augusta V.
Nunes, três mulheres à frente de obras de destaque do audiovisual catarinense
presentes em festivais nacionais e internacionais. Em 2025, seu primeiro longa
de ficção “Virtuosas” foi o vencedor do Prêmio Netflix na 49ª Mostra SP,
garantindo exibição em 190 países, e também do “Goes to Cannes Award",
prêmio para filmes ainda em fase de finalização do Marché du Film, Festival de
Cannes. Também produziu a série “Quero Ser Veg", atualmente no ar na TV
Brasil e TV Cultura. A Novelo tem uma sólida carreira de curtas-metragens
premiados, como “Nonna” e “Baile", finalistas do Grande Prêmio do Cinema
Brasileiro, com o último qualificado ao Oscar 2021 ao vencer como Melhor Curta
no 60º FICCI. “Qual Queijo Você Quer”, produção de estreia da diretora e da
empresa, venceu como Melhor Curta Metragem do Festival do Rio 2011 e recebeu
mais de 50 premiações,
Mais diversos Brasis nas telas
“Olhem para o céu”, provoca Margarida Baird, em tom
bem-humorado, ao convidar o público. Além da bela paisagem da região
Meio-Oeste de Santa Catarina, local de nascimento de boa parte da equipe e da
própria diretora, mostra o sotaque forte da região, suas vidas em meio a
rotinas cheias de afeto e identificação, como define Paula Braun.
“É uma satisfação enorme levar esse sotaque para todo o
Brasil, que, inclusive, é o meu sotaque, apesar de que nas áreas rurais ele aparece
mais carregado e eu e Alana (Bortolini) crescemos numa área urbana, no centro
de Caçador” afirma a diretora. “É fundamental que os mais diversos Brasis
estejam nas telas, à frente e atrás das câmeras. A pluralidade é a nossa
riqueza, e um cinema independente verdadeiramente nacional contribui para uma
visão mais realista e complexa sobre quem somos”, completa.
As filmagens ocorreram entre agosto e setembro de 2025, nas cidades de Abelardo
Luz, Bom Retiro e Florianópolis, com locações variadas que trazem a diversidade
de paisagens catarinenses. A produção é encabeçada por Ana Paula Mendes, numa
equipe formada por diversos talentos locais. “A produção envolveu muitas
viagens, deslocamentos nas filmagens, mudanças climáticas abruptas e, claro,
criar um agroglifo gigante no meio de uma plantação no interior do estado”,
pontua a produtora Ana Paula. “A dedicação e o talento da nossa equipe, assim
como do elenco, estão expressos nesse filme, que nos orgulha muito, tenho
certeza, emocionará o público”.
O elenco é também catarinense, e traz Alana Bortolini,
Margarida Baird, Paula Braun, Valdir Grillo, Sarah Motta, Emilly Vicente e
Andres Prestes interpretando personagens principais, contando também com grande
elenco coadjuvante, com atrizes e atores das próprias cidades das gravações.
Alana resume a expectativa: “Acho que vai mexer com várias
gerações”. Mais do que um mistério no campo, o filme é “Um Dia
Extraordinário”.
Serviço
Um Dia Extraordinário
NSC TV - Segunda-feira (23/02), às 23h. Globoplay após a exibição
Sinopse: A aparição de um agroglifo abala a rotina da
pequena agricultora Moira, única filha que restou no campo e cuida da mãe
idosa. O evento provoca o inesperado reencontro com sua irmã e irmão,
obrigando-os a enfrentar a distância que cresceu entre eles.
FICHA TÉCNICA
Título: Um Dia Extraordinário
telefilme | média-metragem | ficção | cor
| 4K | Pt-Br | 2026 | LIVRE
Sinopse: A rotina da jovem agricultora Moira é abalada pela aparição de um
agroglifo em sua pequena fazenda, onde vive com Ivete, sua mãe octogenária
fascinada pelo universo extraterrestre. O evento desperta a curiosidade da
vizinhança e provoca o inesperado reencontro com a irmã Cecília e o irmão
Maurício, forçando o enfrentamento tanto da distância que cresceu entre a
família quanto do envelhecimento da matriarca.
Logline: A aparição de um agroglifo abala a rotina da jovem agricultora Moira,
que vive com a mãe idosa e fascinada por extraterrestres, reunindo a família e
expondo distâncias concretas e afetivas ao lidarem com o envelhecimento da
matriarca.
ELENCO PRINCIPAL
Alana Bortolini (Moira), Margarida Baird (Ivete), Paula Braun (Cecília), Valdir
Grillo (Maurício), Sarah Motta (Lu), Emilly Vicente (Bruna), Andres Prestes
(Joca)
EQUIPE PRINCIPAL
Argumento e Direção: Cíntia Domit Bittar
Roteiro: Cíntia Domit Bittar, Maria Augusta V. Nunes
Supervisão Artística: Luiz Henrique Rios
Produção Executiva: Ana Paula Mendes
Produção Associada: Maria Augusta V. Nunes, Estevão
Meneguzzo
Direção de Produção: Tati Tanaka
1º Assistente de Direção: Leonardo Gatti
Direção de Fotografia: André Carvalheira, ABC
Montagem: Cíntia Domit Bittar
Direção de Arte: Dicezar Leandro
Figurino: César Martins
Maquiagem: Baby Marques
Som Direto: Daniel Becker
Desenho de Som e Mixagem: Tiago Bello
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