Desde que chegou para ser jogador da Caçadorense, em 1990, Sidnei de Moraes Lucena, o Tita, se destacou pela habilidade e por belos lances dentro de campo. Virou ídolo da torcida, fez parte dos bons tempos do futebol local e adotou Caçador como cidade para morar e continuar sua vida. No ano passado ele se formou em artes plásticas na Universidade do Contestado e dedica seu tempo livre ao desenho, pintura e composição de telas.

Nesta semana Tita recebeu a reportagem do Portal Caçador Online e contou sobre sua trajetória no futebol, e revelou como surgiu o interesse pelas artes. Confira alguns trechos da entrevista:
“Vim pra Caçador porque achei que tinha praia”
Natural de Ceilândia, cidade satélite de Brasília, Tita jogou em vários clubes do futebol brasileiro. Depois de uma passagem pelo Rio Grande do Sul e Paraná, ele chegou a Caçador de uma maneira curiosa. “No final do ano 90 recebi duas propostas ao mesmo tempo, uma para jogar na Caçadorense e uma na Matonense, no interior de São Paulo. Decidi vir pra Santa Catarina e achei que ia pra uma cidade com praia”, lembra.
“Tenho saudades do tempo em que o estádio lotava”
Em Caçador fez parte de um dos grandes times da cidade, que segundo ele, tinha condições de ser campeão catarinense. “Era Alemão, César, Baiano, Nivaldo, Renato Carioca, Falcão, João Batista, Teen, Barbosa, Zé Carlos e outros que não me recordo agora”, diz Tita. “Tenho saudades do tempo em que o estádio lotava. A nossa maior satisfação era entrar em campo e jogar para a torcida”, afirma.
“Quero contribuir para Caçador voltar a ter um time na elite do futebol Estadual”
Com 42 anos, Tita ainda joga no futebol amador da cidade, e está na lista do Caçador Atlético Clube para a disputa de uma competição regional que inicia em fevereiro. “Quero contribuir com o CAC de alguma forma. Acredito que ainda posso jogar, até mesmo no profissional. Pelo que vejo hoje está fácil de subir para a primeira divisão do futebol estadual. Mas para isso é preciso de apoio do empresariado e autoridades. No futuro quero passar meus conhecimentos para a garotada que está iniciando no futebol”, revela.
Gols do fantástico
Dois gols de Tita foram eleitos o mais bonito da rodada pelo programa Fantático, da Rede Globo de televisão. Um deles no Estádio Municipal Carlos Alberto da Costa Neves, com a camisa da Caçadorense. “Era contra o Brusque. Recuperei uma bola na linha de fundo, dei uma “caneta” no zagueiro, driblei outro marcador e chutei rasteiro no canto”, descreve Tita. O outro gol destaque foi atuando justamente pelo Brusque, onde Tita sagrou-se campeão da segunda divisão. “Peguei a bola no meio campo, dei um “chapéu” no marcador, uma meia lua no goleiro e toquei pro gol de calcanhar”, conta.

“Comecei a pintar na concentração”
Em 1991 Tira percebeu que tinha talento com as mãos. Incentivado por um companheiro de Caçadorense, ele passou a desenhar e pintar durante as concentrações. “A partir deste momento a arte passou a fazer parte do meu tempo livre”, diz. Em 2003, um ano após sofrer uma contusão e se afastar dos gramados, ele retomou os estudos, terminou o segundo grau e entrou para a faculdade. “Foram quatro anos de muito estudo, mas que valeram a pena”, comemora.

“Quero fazer uma exposição”
Atualmente Tita é motorista da Prefeitura Municipal e professor de artes em uma escola. Participa de projetos culturais e artísticos como “Arte nos Postes”. Nas horas vagas ele se dedica à arte. “Uso várias técnicas com tinta óleo e acrílico, e uso objetos como pó de pedra e vidro para incrementar as obras”. Ele explica que a maioria das telas são presentes para amigos e somente encomendas são vendidas. Agora estou trabalhando para montar uma exposição. Meu objetivo é ser reconhecido não só pelo futebol, mas pela minha arte também”.
Tita 9963 0934