A Federação das Indústrias de SC (Fiesc) avalia que a
assinatura do Acordo Interino de Comércio Mercosul-União Europeia, neste sábado,
17, é um passo significativo para a inserção internacional do Brasil em um dos
maiores mercados consumidores do planeta, com potencial de fortalecimento da
indústria catarinense. Há mais de 26 anos em negociação, o acordo envolve 720
milhões de pessoas.

Em 2025, a UE ultrapassou a China como destino das
exportações de Santa Catarina, conforme estudo da FIESC. No ano passado, as
vendas do estado para a União Europeia somaram US$ 1,35 bilhão, um incremento
de 10,66% em relação a 2024. As exportações para a UE foram responsáveis por
11,1% das vendas catarinenses ao exterior.
Para o presidente da Federação das Indústrias de SC (Fiesc),
Gilberto Seleme, a assinatura vem em bom momento, em que as tensões
geopolíticas reconfiguram as cadeias produtivas globais. “Para SC e o Brasil,
ter acordos como esse é importante para diversificar destinos de exportações e
minimizar impactos de mudanças repentinas nas relações comerciais, como o que
ocorreu com o tarifaço norte-americano.”
“Já temos uma relação forte e estabelecida com o bloco, e o
acordo vai potencializar as possibilidades de parceria, já que Santa Catarina
tem relevância geopolítica e econômica para o Mercosul. O estado é um hub
logístico, produtivo, turístico, de serviços e de integração física graças a
sua posição geográfica e infraestrutura portuária. O acordo também abre espaço
para alianças estratégicas e intercâmbio tecnológico”, avalia o presidente da Fiesc.
O acordo
A parceria entre Mercosul e a UE vai além de focar exclusivamente no comércio
de produtos e serviços. O Acordo de Parceria entre União Europeia-Mercosul é
o mais moderno e abrangente já negociado pelo Mercosul, e contempla alianças
estratégicas em áreas como defesa, tecnologia, direitos humanos e relações do
trabalho, além de sustentabilidade e mudanças climáticas.
Por ser mais abrangente, tem uma aprovação mais demorada e
complexa. Diante disso, a UE decidiu “fatiar” o documento e priorizar a
aprovação da parte comercial, o chamado Acordo Interino de Comércio entre
os blocos.
“Em Santa Catarina temos relações históricas graças a
imigração de europeus, além de compartilharmos valores e princípios
democráticos, de respeito às regras e normas do multilateralismo e de respeito
aos direitos humanos, além de uma corrente de comércio robusta”, destaca
Seleme.
O acordo comercial abrange produtos e serviços, cronogramas
redução ou eliminação gradual de tarifas, cotas, regras de origem, normas
regulatórias e de investimentos.
Após a assinatura neste sábado, 17, sua ratificação será por
maioria simples no Parlamento Europeu e submetida pelos países do Mercosul aos
seus respectivos Congressos, para aprovação e publicação oficial pelo executivo.
O acordo interino será integrado ao Acordo de Parceria (EMPA, na sigla em
inglês) quando este for aprovado.
Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) estimou
que, em 2024, a cada R$ 1 bilhão exportado do Brasil à UE foram criados 21,8
mil empregos e movimentados R$ 441,7 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões
em produção no Brasil.