4 de outubro de 2026
Em Curitibanos

Consultor jurídico da Fiesc ministra palestra na abertura da ExpoSul Florestal

Inovação e pesquisa para agregar valor, e pressão para regulamentar o mercado, foram alguns assuntos abordados

Por Ass. Imp. Fiesc

De um lado, o código ambiental e suas atualizações, a lei da mata atlântica, mercado de carbono, marketing verde, certificações. Do outro, inovação, biorefinaria florestal e infinitas possibilidades para agregar valor e desenvolver novos produtos a partir da biomassa residual de matéria-prima florestal em grandes, médias e pequenas empresas do setor. Quem acompanhou os seminários técnicos do primeiro dia da ExpoSul Florestal não só entendeu a relação entre os temas abordados como debateu com os especialistas maneiras de aplicar ciência e pesquisa de alto nível na busca por uma regulamentação equilibrada, condizente com a realidade e particularidades de cada bioma e região do país. 

Um dos palestrantes do primeiro dia do evento foi o consultor jurídico da Fiesc, Dr. Gustavo Seleme. Ele falou sobre o tema: “Impactos políticos no mercado de silvicultura no sul do País” Há atualmente uma imagem negativa que paira sobre o setor florestal, e é com base nesta imagem distorcida que muitas políticas públicas e legislações são aplicadas. Precisamos inverter essa lógica. Temos que mostrar uma imagem positiva, sustentável e propositiva do setor, especialmente para o consumidor final ", opina o Dr. Gustavo Seleme. 

Para ele, quando falamos em silvicultura, manejo, setor florestal, afastamos o teor pejorativo que foi criado em torno do mercado madeireiro, principalmente em função dos maus exemplos de exploração predatória na Amazônia e realizados em um passado distante.

Seleme defende divulgação, marketing e propaganda massiva para que o público leigo, em especial os consumidores de produtos de base florestal que não estão inseridos na realidade do setor vejam que a grande maioria do mercado é vibrante, gera emprego, renda, busca melhoria continua nas condições de trabalho, respeita a fauna local e comunidade no entorno de seus negócios e abomina toda sorte de malfeitos que infestam os noticiários com destaque a grilagem, extração ilegal, invasões de áreas de preservação, desmatamento e queimadas.

“Faço analogia com o agro, que começou uma campanha grandiosa nesse sentido há muito tempo, e têm colhido bons resultados. Os frigoríficos, por exemplo, também avançaram muito na melhora da imagem e na busca por governança com as iniciativas de rastreabilidade como forma de garantir a procedência legal da carne exportada. Precisamos, portanto, usar certificações como a FSC em favor do segmento para destacar as boas práticas e as boas empresas”, comenta. 

Santa Catarina, com três entre os dez maiores portos do país, mais de dez mil empresas de tecnologia e um pólo rico de inovação, é exemplo vivo e incontestável de contribuição do setor de base florestal para o desenvolvimento do estado como um todo, na economia e melhoria de qualidade de vida dos cidadãos.

Em um país de dimensões continentais como o Brasil, entretanto, não deveria ser normal tratar questões técnicas como distanciamento de beira de rio, por exemplo, com os mesmos padrões para o estado do Amazonas e do Rio Grande do Sul. “Tratar de modo igual os iguais, e diferente os desiguais“. Áreas urbanas e rurais consolidadas precisam de tratamento e regramento distintos de áreas nativas, por exemplo. Tratar todos os sujeitos e conceitos de forma geral e indiscriminados, reflete em real insegurança jurídica ao produtor florestal e a sociedade em geral”.  Exemplos disso, são os imbróglios recentes e amplamente divulgados no estado, como os beach clubs em Jurerê Internacional e o edifício Grand Trianon em Blumenau. Ambos embargados, sujeitos a decisões judiciais contraditórias e mudanças de entendimento constantes. Um verdadeiro temor para qualquer investimento de grande porte.

“Por conta da insegurança jurídica e visões ideológicas em detrimento de um posicionamento técnico de todo um setor imprescindível para economia, hoje acabamos sendo muito mais combativos e menos propositivos. Esta realidade pode ser alterada quando o ESG (Meio Ambiente, Sociedade e Covernança) deixar de ser conceito para virar realidade – um caminho longo, mas sem volta”, afirmou.

O ESG hoje ainda engatinha no Brasil, mas quem vislumbra o mercado internacional e uma governança alinhada com os preceitos de inserção e competitividade global precisa prossegui-lo. Marketing verde, mudanças climáticas e mercado de carbono são a nova realidade do planeta. Um exemplo prático de modelo de política pública que já funciona hoje, com base em muita pressão e proposição do setor nas autoridades é o ICMS ecológico que já funciona em alguns estados”.

Com informações e fotos: Germano Assad

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