Após aproximadamente 15 horas de júri popular realizado
nesta quinta-feira, 10, no Fórum da Comarca de Caçador, Eloid da Cruz Antunes
foi condenado a 31 anos e 10 meses de prisão pela morte de sua companheira, a
advogada Karize Ana Fagundes Lemos, além do crime de ocultação de cadáver.

A decisão foi tomada pelo Conselho de Sentença, formado por
sete jurados — quatro mulheres e três homens. A sessão foi presidida pela
magistrada Nathana Campos Dias de Souza.
Além da pena criminal, a sentença determinou o pagamento de
R$ 50 mil por danos morais aos familiares de Karize, em razão do sofrimento
causado pela morte da vítima e pelo período de aproximadamente 41 dias em que a
família permaneceu sem notícias sobre seu paradeiro.
O crime aconteceu em 28 de setembro de 2024, na residência
onde o casal morava, no bairro Gioppo, em Caçador. Conforme a acusação
apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Karize foi morta
por asfixia enquanto se recuperava de um procedimento médico e estava
fisicamente debilitada.
Segundo a denúncia, o crime teria sido motivado por ciúmes,
dentro de um contexto de violência doméstica. Após o homicídio, o corpo teria
sido retirado da residência e levado para uma área de mata nas proximidades de
Palmas (PR).
Os restos mortais de Karize foram localizados cerca de 40
dias depois, já em avançado estado de decomposição.
Quatro qualificadoras
Eloid respondeu pelo crime de homicídio com quatro
qualificadoras apontadas na denúncia: feminicídio, motivo torpe, emprego de
asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele também foi acusado de
ocultação de cadáver.
Durante o julgamento, foram ouvidas sete testemunhas, sendo
cinco indicadas pela acusação e duas pela defesa. Depois das oitivas, o réu foi
interrogado durante a tarde.
A acusação foi conduzida pelos promotores de Justiça Marco
Antônio Vargas Sandi e Diego Bertoldi, com auxílio dos advogados assistentes
Felipe Yoshimi Cassiano Tukuda e Franciele Suely Xavier. A defesa ficou sob
responsabilidade do defensor público André Pasqual.
Depoimentos
A primeira testemunha ouvida foi o delegado Marcelo Ricardo
Colaço, que estava à frente das investigações na época. Ele apresentou detalhes
dos procedimentos realizados para esclarecer as circunstâncias da morte e das
buscas pelo corpo da advogada.
Também prestou depoimento um amigo pessoal de Karize, cuja
identidade foi preservada em razão do segredo de justiça do processo. Ele
contou que conhecia a advogada desde que ela se mudou para Caçador, quando
tinha cerca de 20 anos, e a descreveu como uma pessoa “honesta e bondosa”.
A testemunha relatou ainda que Eloid demonstrava ciúmes da
amizade entre os dois. Segundo o depoimento, houve troca de mensagens com o
perfil de Karize em 29 de setembro de 2024, um dia após a data apontada para o
crime. O amigo, entretanto, afirmou ter desconfiado de que as respostas
poderiam estar sendo enviadas pelo próprio acusado.
Durante a oitiva, a acusação também reproduziu um áudio em
que Karize relatava problemas relacionados à conduta do companheiro. Na
gravação, ela mencionava que, mesmo estando convalescente após um procedimento
médico, o acusado insistia em manter contato sexual.
Outro ponto abordado foi o desaparecimento dos gatos de
Karize após o crime. Conforme os relatos apresentados no julgamento, Eloid
também demonstrava ciúmes da relação da advogada com os animais.
Preso desde setembro de 2024
Eloid está preso preventivamente desde 30 de setembro de
2024, quando foi localizado e detido em Guaíra, no Paraná.
Com a decisão do Tribunal do Júri nesta quinta-feira, ele
foi condenado a 31 anos e 10 meses de prisão, além da indenização de R$ 50 mil
aos familiares da vítima.