Quase dois anos depois do crime que tirou a
vida da advogada Karize Ana Fagundes Lemos, de 33 anos, o caso será levado
a julgamento em Santa Catarina. O Tribunal do Júri está marcado para esta
quinta-feira, 10, às 7h30, no salão do Júri do Fórum da comarca de Caçador.

Karize foi morta dentro da própria casa, em 29 de
setembro de 2024. O homem denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina
(MPSC) será julgado pelo Tribunal do Júri e responde por homicídio com quatro
qualificadoras além de ocultação de cadáver.
Segundo o MPSC, Karize foi morta sem chance de defesa.
Depois do crime, o corpo foi ocultado, fazendo com que familiares, amigos e
pessoas próximas enfrentassem semanas de angústia até a localização dos restos
mortais.
Crime aconteceu dentro da própria casa
A ocorrência começou a ser investigada na noite de 29 de
setembro de 2024, depois que dois jovens procuraram a Polícia Militar (PM) e
relataram ter conhecimento de um possível homicídio.

Conforme as informações repassadas pela PM na época, um
amigo teria enviado uma mensagem em um grupo de WhatsApp dizendo que havia
“feito merda”, sem explicar o que havia acontecido. Mais tarde, por volta das
22h, o suspeito teria ligado para os amigos e confessado o crime.
Os policiais foram até a residência de Karize e encontraram
as luzes acesas, mas ninguém estava no imóvel. Havia marcas de sangue na
garagem e, dentro da casa, também foram encontradas marcas que, segundo a PM,
indicavam uma tentativa de limpeza.
Conforme o relato policial divulgado na época, Karize teria
sido morta por enforcamento com uma corda de sisal.
Corpo de Karize foi encontrado semanas depois do assassinato
Após a morte, o corpo da advogada foi retirado da residência
e levado para outro local. De acordo com as informações divulgadas pela Polícia
Militar na época, o corpo teria sido levado para uma região distante de
Caçador.
Os restos mortais de Karize só foram localizados
semanas depois, no Paraná, encerrando um período de angústia vivido por familiares
e pessoas próximas.
O MPSC destaca que a violência não atingiu apenas Karize,
mas também a rede de familiares, amigos e pessoas que mantinham vínculos com a
advogada.
“Uma violência que não atingiu apenas uma mulher, mas uma
rede inteira de afetos, sonhos e histórias que jamais poderão ser recuperados”,
afirmou o órgão em publicação sobre o julgamento.
Suspeito foi preso durante fuga
Após o crime, o suspeito teria deixado o local e seguido em
direção ao Mato Grosso do Sul, com a intenção de fugir para o Paraguai, segundo
as informações divulgadas pela Polícia Militar.
Ele foi localizado e preso na manhã de 30 de setembro de
2024, no município de Guaíra, no Paraná, há quase 700 quilômetros de Caçador.
Réu responde por feminicídio
De acordo com a denúncia do MPSC, o homem responde por
homicídio com quatro qualificadoras:
- feminicídio;
- motivo torpe;
- asfixia;
- recurso que dificultou a defesa da vítima.
- Ele também responde por ocultação de cadáver.
A inclusão da qualificadora de feminicídio significa que o
Ministério Público sustenta que o homicídio ocorreu em contexto de violência
contra a mulher por razões da condição do sexo feminino.
Cabe ao Tribunal do Júri analisar as acusações apresentadas
contra o réu e decidir sobre sua responsabilidade pelos crimes.
Julgamento acontece nesta quinta-feira
A sessão do Tribunal do Júri está marcada para quinta-feira,
10, às 7h30, no salão do Júri do Fórum da comarca de Caçador.
Por causa da limitação do espaço físico, o Juízo da Vara
Criminal de Caçador determinou que parte dos assentos seja reservada aos
familiares da vítima e do réu. O restante da capacidade do plenário ficará
disponível ao público e aos profissionais da imprensa, respeitando a lotação
máxima do ambiente.
Para o público em geral, serão distribuídas senhas por ordem
de chegada.
Os profissionais de imprensa que desejarem acompanhar o
julgamento precisam fazer cadastramento prévio até as 15h desta quarta-feira, 9.
O júri
A sessão do Tribunal do Júri será presidida pela juíza
Nathana Campos Dias de Souza, tem na defesa o advogado André Pasqual.
O Ministério Público preferiu não divulgar o nome do Promotor de Justiça
que atuará. Atuarão como assistentes de acusação os advogados Felipe Yoshimi
Tukuda e Franciele Suely Xavier.Com informações e fotos: NDMais