Um morador de Caçador denunciado pelo Ministério
Público de Santa Catarina por descumprir uma medida protetiva, atacar a
ex-companheira e o filho dela com uma faca e ainda guardar armas e munições
ilegalmente foi condenado na última sexta-feira, 6, a 39 anos e 20 dias de
reclusão, sem direito de recorrer em liberdade, e já está cumprindo a pena em
regime fechado.

O caso foi julgado pelo Tribunal do Júri por envolver crimes
dolosos contra a vida. A acusação foi conduzida pelo Promotor de Justiça
Diego Bertoldi, que apresentou aos jurados o contexto dos fatos e as provas
colhidas pelos órgãos competentes ao longo das investigações.
Segundo consta na ação penal, o réu ignorou a ordem
judicial para não se aproximar da ex-companheira, foi até a casa dela na
madrugada de 1º de janeiro de 2025 com uma faca e perfurou seu abdômen,
transformando as comemorações pela chegada do ano novo em um verdadeiro momento
de pânico. O filho da mulher interveio e também foi atingido no peito
e no tórax.
Ambos sobreviveram graças à intervenção médica e precisaram
passar por procedimentos cirúrgicos. “Os resultados de morte pretendidos pelo
réu somente não se consumaram por circunstâncias alheias à sua vontade, pois as
vítimas receberam atendimento em tempo hábil”, sustentou o Promotor de Justiça
Diego Bertoldi.
Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão na
casa do homem, a Polícia encontrou no guarda-roupa uma espingarda modificada
calibre .22, de uso restrito, sem marca e numeração, além de 48 munições e 36
chumbos em desacordo com determinação legal ou regulamentar vigente.
Os crimes
O réu permaneceu preso preventivamente durante todo o
processo e agora foi condenado por quatro crimes distintos: feminicídio tentado
contra a ex-companheira, mediante recurso que dificultou a defesa, na presença
física do filho da vítima, descumprindo medida protetiva de urgência; homicídio
tentado contra o ex-enteado, mediante recurso que dificultou a defesa;
posse irregular de munição; e posse ilegal de arma de fogo. Ele
retornou ao presídio assim que o julgamento terminou para o cumprimento da
pena.
O Promotor de Justiça Diego Bertoldi reafirma que “a
condenação representa uma resposta firme do sistema de Justiça a crimes de
extrema gravidade, especialmente aqueles praticados no contexto de violência
doméstica e familiar, deixando claro que o desrespeito às medidas protetivas e
a tentativa de ceifar vidas não serão tolerados”.