3 de outubro de 2026
Operação Proditor

“Foi um golpe no crime”, diz diretor da DEIC sobre prisões em Caçador

Por Caçador Online com informações do Clicrbs

Delegado Akira Sato, diretor da DEIC (Diretoria Estadual de Investigações Criminais), afirmou a operação Proditor, que prendeu mais de 30 acusados de tráfico de drogas no final de semana em Caçador, foi um “golpe no crime”. A declaração foi dada ao Diário Catarinense, do grupo RBS, na tarde desta segunda-feira, em matéria assinada pelo repórter Diogo Vargas.

A publicação traz entrevista exclusiva com Akira, que dá detalhes das investigações e afirma que “ninguém tinha peito” (para prendê-los).

Confira a reportagem que também está disponível no www.clicrbs.com.br

Diário Catarinense _ Como a polícia começou essa investigação?

Akira Sato - A Adelita (Aparecida Regis) assumiu o controle do tráfico desde a morte do marido (Eloir Milani). Esse traficante era investigado há tempos e a partir daí surgiram as conexões. Quando foram cumprir as buscas entraram em confronto com ele (em 2011) e daí o negócio começou a abrir.

DC - Adelita era dona de bordeis em Caçador?

Akira - Ela era a dona de quase todos os bordeis.

DC - Qual era papel dos PMs que foram presos?

Akira - Eles faziam desde a escolta da droga com viaturas oficiais. Por exemplo, quando a Adelita e a Márcia (Helena da Silva) informavam eles que estaria chegando um veículo ou um transporte, eles por conta própria faziam essa escolta para que a droga chegasse no seu fim. Também que eles faziam a cobrança desses devedores, os menores traficantes, os usuários. E não a parte financeira, mas a repressão.

DC - Armados e fardados?

Akira - Até o comandante da região fala que eles eram policiais muito pró-ativos, faziam uma repressão muito grande ao tráfico de drogas, aos concorrentes. Inclusive também o inquérito indica que esse complexo de zona de meretrício é onde a Adelita fazia o seu tráfico de drogas também. Então, além da prostituição, rufianismo, lenocínio ela praticava traficância naquela região. E marcava operações, pedia para que os policiais fizessem operações para fechar as outras boates, as outras zonas.

DC - Vocês tratam como uma rede de crimes?

Akira - Não eram todos conexos. Havia ramificações. Uma parte fazia isso, de repente esse não conhecia esse, mas todos estavam ligados a Adelita e a Marcia. O agente penitenciário, por exemplo, ele não levava a droga ao presídio, ele usava a viatura para dar carona a indivíduos do qual a Ionara pedia, que é outra traficante também. Então ele se utilizava dos meios do Estado para fazer o transporte. Não se confirmou ainda o transporte de drogas, mas que ele fazia muita coisa para Ionara e isso que gerou a prisão dele, a associação ao tráfico, esse pano que ele dava para ela.

DC - Qual o papel da advogada?

Akira - A advogada era responsável por estar denunciando, cooptando os policiais militares à prática dessas ações a favor da Adelita e mandante de muitas outras coisas que estão sigilosas no inquérito.

DC - Havia pagamento de valores?

Akira - Isso está no inquérito, fala de dinheiro. O próprio delegado Régis (Daniel Régis, de Caçador) afirma que existiam situações econômicas, vantagens financeiras que os PMs possuíam.

DC - Quanto tempo a polícia suspeita que eles agiam em Caçador?

Akira -  Então, o delegado Daniel Régis disse que isso já vem desde 2004. Ninguém tinha peito (para prendê-los) até pela falta de efetivo, dificuldade de trabalho, pela busca de materialidade e estrutura geral. Um auxílio muito importante foi do Ministério Público nesse caso. Foi um golpe no crime, nesse grupo que incomodava muito a região."

Polícia começa a interrogar suspeitos nesta terça-feira

Em matéria publicada no www.clicrbs.com.br, com assinatura dos repórteres Diogo Vargas e Daisy Trombetta, o delegado da DIC (Divisão de Investigação Criminal) de Caçador, Daniel Régis, disse que os depoimentos dos suspeitos começarão a ser tomados nesta terça-feira, 26. Primeiro ele vai ouvir os que estão presos em Caçador, e depois os detidos em Florianópolis.  

Matéria na íntegra que está disponível no www.clicrbs.com.br.

"Polícia monta quebra-cabeça de grupo preso em Caçador, no Meio-Oeste catarinense

Detalhar o papel de cada um dos 31 presos na operação Proditor, entre quatro policiais militares, agente penitenciário e uma advogada, é o desafio da Polícia Civil após a complexa ação desencadeada no sábado em Caçador, no Meio-Oeste catarinense.

A polícia afirma que havia ramificações e uma série de crimes praticados por um grupo que supostamente agia na região havia oito anos.

O delegado da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Caçador, Daniel Régis, responsável pela operação, começará nesta terça-feira a interrogar os suspeitos. Ele disse que ouvirá primeiro os que estão presos em Caçador, e depois os que foram transferidos para Florianópolis.

Régis não descarta novas prisões nos próximos dias, principalmente ligadas aos tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ele acredita que a partir dos depoimentos chegará a novos nomes de outras pessoas envolvidas.

Os quatro policiais de Caçador estão presos no 4º Batalhão da PM, na Capital. O auditório da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (Deic) abriga a advogada de Caçador que também foi presa.

No parlatório da Deic está preso ainda o agente penitenciário, que era o chefe de segurança do presídio da cidade do Meio-Oeste. Eles não contam com visita e apenas advogados podem acessá-los.

As ramificações e os crimes suspeitos em Caçador:

A ADVOGADA
Marcia Helena da Silva
Cooptaria os PMs a agir para Adelita.

A VIÚVA
Adelita Aparecida Regis
Comandaria o tráfico desde a morte do marido, Eloir Carlos Milani, em 2011. Também atuaria no aliciamento de mulheres para a prostituição.

OS POLICIAIS MILITARES
Cabo Laudemir Domingues e soldados Leocir André Maurina, Leonardo Andriguetti e Fabio Masaroli.
São suspeitos de fazer escoltas de cargas de drogas que chegavam aos criminosos. Também protegiam o negócio ilícito, cobravam dívidas e prendiam bandos rivais para não levantar suspeita.

O AGENTE PENITENCIÁRIO
Mauro Vieira
Estaria envolvido com os criminosos em supostos serviços para o tráfico de drogas.

OUTROS PRESOS
Seriam responsáveis diretamente pelo tráfico de drogas. Também são investigados por homicídio e tentativa de latrocínio.

Fonte: Diretoria Estadual de Investigações Criminais e Divisão de Investigação Criminal de Caçador.

Contrapontos

O que disseram
MARCIA HELENA DA SILVA
Guilherme Felipe Miguel, advogado de Marcia Helena da Silva, disse que teve acesso ao inquérito nesta segunda-feira, mas que ainda não analisou as escutas telefônicas feitas pela polícia. Ele deve aguardar o encerramento do processo para se pronunciar sobre o caso e fazer uma análise mais detalhada dos elementos que, segundo ele, poderiam comprovar a inocência da cliente.

ADELITA APARECIDA REGIS
O DC não teve acesso a ela nem ao seu advogado.

O CABO LAUDEMIR DOMINGUES E OS SOLDADOS LEOCIR ANDRÉ MAURINA, LEONARDO ANDRIGUETTI E FABIO MASAROLI
O DC não teve acesso aos presos no 4º Batalhão da PM. A assessoria da PM não informou os nomes de seus advogados. A reportagem fez contato com a Associação dos Praças de SC (Aprasc), mas também não conseguiu descobrir os responsáveis pela defesa dos PMs.

O AGENTE PENITENCIÁRIO MAURO VIEIRA
O DC não teve acesso ao preso na carceragem da Deic. Plantonistas disseram que ele ainda não tem advogado constituído e que irá aguardar o seu depoimento ao Ministério Público para fazer a sua defesa."

Confira ainda: Polícia Civil divulga vídeo da Megaoperação em Caçador

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