O dia 14 de janeiro segue marcado na memória dos
caçadorenses com a lembrança da tragédia registrada em Laguna, no litoral sul
de Santa Catarina. O acidente com uma lancha, que vitimou o então vereador de
Caçador Ricardo de Moraes Barbosa, o filho dele, Michel Ricardo de Moraes
Barbosa, e o amigo da família, Deyvid Fernandes, completa quatro anos.

Era janeiro de 2022 quando Ricardo, familiares e amigos
estavam em uma viagem de férias no litoral catarinense. Naquele dia, o grupo
alugou uma lancha para um passeio. Após irem até um restaurante e almoçarem,
iniciaram o retorno, momento em que encontraram o mar mais agitado. Ao
atravessar o canal dos Molhes da Barra, uma onda atingiu a embarcação, que
acabou virando.
Ao todo, sete pessoas estavam na lancha. Quatro sobreviveram
e foram resgatadas pelas equipes de socorro. Ricardo Barbosa chegou a ser
retirado com vida da água, mas não resistiu aos ferimentos. Já o filho, Michel,
ficou desaparecido no mar por vários dias, em um período marcado por buscas
intensas ao longo do litoral catarinense, acompanhadas com grande apreensão por
familiares, amigos e pela comunidade de Caçador.
O corpo de Michel foi localizado no dia 3 de fevereiro,
encerrando semanas de incerteza e dor. Deyvid Fernandes morreu ainda no local
do naufrágio.
A confirmação das mortes causou forte comoção em Caçador. A
perda simultânea de um vereador em exercício, do filho e de um amigo próximo
abalou a cidade e ganhou repercussão em todo o Estado. Manifestações de pesar
de autoridades, entidades e lideranças políticas, além de missas, homenagens e
atos de solidariedade, marcaram os dias que se seguiram à tragédia.
No campo político, a morte de Ricardo Barbosa teve impacto
direto. Vereador atuante e uma das principais lideranças do PSDB no município,
ele exercia papel importante nas articulações internas do partido e nos debates
do Legislativo. Reconhecido pelo diálogo com diferentes setores da sociedade,
era presença constante nas discussões sobre os rumos de Caçador.
À época, havia expectativa em torno de seu futuro político,
sendo considerado um nome em ascensão dentro do partido. A tragédia representou
não apenas a perda de um mandato, mas também a interrupção de um projeto
político em construção.
Quatro anos depois, a tragédia de Laguna segue sendo
lembrada não apenas pelo acidente, mas pelas histórias interrompidas e pelo
vazio deixado na política e na comunidade caçadorense.
In memoriam: Ricardo de Moraes Barbosa, 48 anos; Michel
Ricardo de Moraes Barbosa, 25 anos; Deyvid Fernandes, 29 anos.
