Um registro de -17,8ºC no Morro da Igreja, em Urubici, foi noticiado em 29 de junho de 1996 como temperatura mais baixa registrada no Brasil. Mas trata-se de um dado não-oficial. A mínima registrada oficialmente no país até agora foi em 11 de junho de 1952, em Caçador. Nesta segunda-feira, 11, o recorde completou 60 anos.
O fato está confirmado na wikipédia, no livro mundial dos recordes, e também de acordo com a Epagri/Ciram, órgão que monitora as condições do clima em Santa Catarina.
Em agosto de 2011 a jornalista Gisele Dias, da Assessoria de Comunicação da Epagri, divulgou no site da organização a matéria sob o título “-14ºC é a menor temperatura registrada em SC, em 1952, e testemunhada por aposentado da Epagri”.
Leia a reportagem na íntegra:
No dia 11 de junho de 1952 os moradores de Caçador enfrentaram um frio de -14ºC, a menor temperatura registrada no território catarinense. A temperatura extrema foi registrada em um posto de meteorologia da cidade e testemunhada por Wilson de Oliveira Quadros, técnico rural que por anos exerceu a função de observador meteorológico a serviço da Epagri.

O site da Epagri/Ciram confirma a informação no link Recordes de Frio em SC. Segundo o meteorologista Clóvis Corrêa, é uma prática normal da meteorologia revisar frequentemente dados históricos, o que foi feito recentemente pela equipe do Centro. E tal trabalho reforçou a marca dos -14ºC registrados naquele distante dia congelante em Caçador.
Wilson, hoje com 77 anos, aposentado e morador da Grande Florianópolis, é um dos pioneiros da meteorologia e da pesquisa rural em Santa Catarina. Nos períodos de 1956 a 1959 e de 1961 a 1962 foi responsável pelo setor de pesquisa e experimentação e meteorologia da Estação Experimental de Caçador. Em 1960 fez estágio na Seção de Climatologia Agrícola do IPEAS/Pelotas onde aprendeu, entre outras coisas, a manusear os aparelhos, fazer medições e elaborar relatórios de dados meteorológicos.
Foi graças a esse estágio que passou a exercer oficialmente a função de observador meteorológico e recebeu uma missão da qual se orgulha até hoje: montar e ser o encarregado do posto meteo-agrário de Caçador. A partir daí procurou meios de expressar sua paixão pela meteorologia e pela pesquisa: criou um informativo impresso distribuído por correio para a população local e passou a divulgar diariamente na rádio da cidade os dados medidos pela estação.
“O chefe responsável pelas medições antes desse período não permitia a divulgação dos dados, por isso é difícil encontrar registros na imprensa dos -14ºC verificados em 1952”, explica Seu Wilson. Ele criou e transmitia diariamente pela rádio o programa “Boa Noite Homem do Campo”, onde fazia questão de divulgar as pesquisas e a atuação dos pesquisadores, num tempo em que esses eram assuntos pouco discutidos no Brasil.
Pioneiro em vários aspectos, Wilson exibe hoje currículo profissional invejável, tendo passado pela Embrapa, Ministério da Agricultura e Epagri. Quando fala de sua carreira revela, na entonação de voz e no gestual, todo o orgulho que tem pela vida profissional desenvolvida com amor e abnegação. Hoje aproveita a aposentadoria ao lado da esposa, filhos e netos, com a tranquilidade de quem cumpriu a missão máxima de um servidor público: trabalhar pelo desenvolvimento da sociedade.