As exportações de Santa Catarina encerraram 2025 com
incremento de 4,4% frente a 2024, alcançando US$ 12,2 bilhões no ano passado,
atingindo novo recorde histórico. O desempenho positivo das vendas externas
ocorreu em um ambiente internacional mais adverso, marcado por restrições
sanitárias e barreiras tarifárias impostas pelo principal destino das
exportações catarinenses, associadas ao menor dinamismo econômico global.

Para o economista-chefe da Federação das Indústrias de SC (Fiesc),
Pablo Bittencourt, o resultado pode ser explicado pela diversificação de
mercados em produtos líderes de nossa pauta exportadora - como carnes de aves e
suína - e também pela recuperação da economia argentina. As vendas catarinenses
para o mercado argentino somaram US$ 889 milhões, um crescimento de 18,6% em relação
a 2024. As exportações de bens intermediários - como papel kraft não revestido
e laminados de ferro e de cobre -, foram destaque, o que mostra a integração
entre as indústrias catarinense e argentina, na visão do economista-chefe da Fiesc.
Dados compilados pelo Observatório Fiesc mostram que em
2025, as exportações de SC para seus dois principais destinos registraram
queda. Como reflexo do tarifaço, as vendas para os Estados Unidos caíram
15,75%, com destaque para produtos de madeira. As exportações para a China
recuaram 6,74%, refletindo restrições sanitárias mais rigorosas diante de focos
de gripe aviária. “Os ganhos obtidos com o Chile e a União Europeia, somados,
compensaram a retração das exportações para os Estados Unidos, enquanto o
aumento das vendas para a Argentina mais do que neutralizou a perda associada
ao mercado chinês”, explica Bittencourt.
Principais produtos
As vendas de carnes de aves lideraram a pauta exportadora,
com vendas de US$ 2,3 bilhões, um incremento de 7,7% no ano. As restrições
sanitárias afetaram sobretudo os mercados japonês e chinês, mas foram
compensadas, segundo Bittencourt, pela expansão das vendas para mercados
alternativos, como Arábia Saudita e outros países do Oriente Médio, México,
Coreia do Sul, Chile e Reino Unido.
As exportações de carne suína cresceram 9% em 2025, para US$
1,7 bilhão, a expansão das exportações para o México e o Japão contribuíram
significativamente para o desempenho. A soja teve desempenho estável, com
crescimento de 1%, para US$ 660 milhões. Já as vendas de motores elétricos
caíram 7,9%, para US$ 621 milhões, e as partes de motor recuaram 22,7%, para
US$ 383 milhões.
Importações
As importações catarinenses tiveram ligeiro avanço, de 0,7%,
para US$ 34 bilhões em 2025, na comparação com 2024. O economista da Fiesc
explica que a desaceleração da atividade econômica brasileira, sobretudo nos
segmentos industriais mais dependentes de insumos importados, foi o principal
fator para o resultado.
O Observatório Fiesc aposta que os principais produtos
importados por Santa Catarina no ano passado foram: cobre refinado (-9,4%),
partes e acessórios para veículos, (+12,9%), polímeros de etileno (-15%), pneus
de borracha (-16,2%) e fertilizantes nitrogenados(+37,2%).