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Amor & Sexo


Você trocaria de família?

“Olá Lidi. Sou um rapaz boa pinta. Venho de uma família de poucas poses. Me criei até os 16 anos na roça. Mas, apesar da origem humilde, meus pais sempre me incentivaram a estudar. E eu também não queria permanecer trabalhando na lavoura o resto da minha vida. Quando tive oportunidade de ir para a cidade estudar agarrei essa chance com todas as minhas forças. No início fiquei na casa de uma tia, meus pais me ajudam com um pouco de dinheiro e eu logo comecei a trabalhar. Era sofrido! Morava no bairro Bom Jesus, trabalhava no centro e a noite tinha faculdade. Fazia esse trajeto a pé todos os dias, de manhã e de noite. Saia cedo para o trabalho, levava comida de casa para o almoço e para o final do dia, porque era muito longe para eu ir jantar em casa, antes de ir para a faculdade. Estudava até às 22h30 e depois seguia da universidade até o bairro onde eu morava a pé. Chegava em casa altas horas, ao chegar devorava tudo o que via pela frente, algumas vezes ficava até tarde fazendo trabalho da faculdade, para depois dormir apenas algumas horas, antes de voltar para o batente. Não foi fácil, mas venci. Ainda moro de aluguel, mas tudo que tenho dentro de casa comprei com o suor do meu trabalho. Tenho um carro bom, consegui me formar e hoje tenho um excelente trabalho e dou aula. Essa é um pouco da minha história Lidiane, mas, o que me trouxe até você é o seguinte. Faz três anos que namoro uma moça muito bem sucedida, que mora em Videira. Ela é de uma família de classe média, que também com muito trabalho, conquistaram o patrimônio que tem hoje. Seus pais fizeram muito esforço para formar os quatro filhos. Minha namorada foi criada como se fosse rica, melhores colégios, melhores roupas, salão de beleza sempre, dormir até tarde, nunca precisou ajudar nos serviços da casa. É a legítima dondoca. Seus pais não são ricos, tem as coisas como qualquer outro trabalhador que se esforço. Seus irmãos são diferentes, melhor totalmente diferente e independentes, ela, acho que por ser a caçula, sempre foi muito mimada. Foi criada como uma patricinha. Só quer saber de amizade de gente granfina, bons restaurantes, roupinhas de marca, carrão, casa bacana e todas as futilidades e apego apenas aos valores materiais. Eu nunca fui acostumada a tudo isso mas acabei pegando o ritmo dela. Ela muitas vezes até me manipula. Estou tão dependente dela que me apeguei a seus valores. Só que ela não aceita a minha origem. Não gosta da minha família, não gosta de ir no sítio onde mora meus pais. Não gosta de freqüentar o meu apartamento. Prefere andar no seu carro, enfim, tem nariz torcido para tudo que lembra gente pobre. Lidiane, há dois meses, nós brigamos porque descobri que ela me traiu. Durante essa separação conheci uma moça muito bonita, bacana, batalhadora, gente fina, mas, que não tinha o status da minha namorada. Saí com ela algumas vezes para tentar esquecê-la, mas voltei atrás. Faz exatos 15 dias que acabamos voltando. Voltei pra ela porque é uma moça linda, tem carrão, casa com piscina, é super bem vista no mercado, por causa da sua profissão, tem uma turma de amigos da grana, enfim, tudo o que é prioridade para mim hoje. Lidi, lá no fundo curto esse status. Você acha que é normal o meu comportamento?” B. Centro

Amigo, francamente, acho que você perdeu o caráter. Você pode até ter estudo, ter uma formação acadêmica, ser professor, andar de carro bacana, andar com mulher que te dá status, mas como li ainda essa semana na internet: “Com o tempo... você vai aprender que estar com alguém, só porque esse alguém lhe oferece um bom futuro, significa que mais cedo ou mais tarde você irá querer voltar ao passado...”

B. o tempo ao invés de te fazer evoluir, amadurecer, te fez ‘emburrar’. Que valores são esses? Que princípios? Seus pais não lhe ensinaram nada? A vida não te ensinou nada? Que complexo de inferioridade é esse? Essa sua atitude só demonstra que você tem preconceito de você mesmo. Quando você aceitar sua origem, aceitar você como você é, você vai ver como sua vida vai mudar completamente. Você vai perceber que para ser feliz com uma outra pessoa, você precisa, em primeiro lugar não precisar dela. E que para ser feliz com alguém, primeiro você precisa ser feliz sozinho.

Amigo, como diz Mario Quintana: “Com o tempo você vai percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer ACEITAR você como você é, definitivamente, não é o homem ou mulher da sua vida. Com o tempo você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você.”

B. fala sério, você trocaria de família só para ficar com a pessoa que você ACHA que ama?

Gente, a família é nossa bem maior. São os membros da nossa família que NORMALMENTE estão com a gente nas horas boas e ruins. Te estendem a mãos quando você está na pior, no fundo do poço. É com a família que vivemos as grandes comemoramos ao longo da vida. Seja nossa família formada por gente bonita ou feia, magra ou gorda, baixa ou alta, normal ou com alguma deficiência física, com dente ou sem dente, careca ou cabeluda, rica ou pobre, com estudo ou analfabeta, andando de carro ou a pé, com roupa de marca ou não.

B. diariamente vemos estampadas nos meios de comunicação fotos dos novos ricos. E eu lhe pergunto: Por terem ficado ricos eles mudaram de família? Será que passou em algum momento na cabeça deles o seguinte pensamento. Bom, agora estou rico, vou comprar uma mãe nova, um pai novo, irmãos novos, filhos novos, mulher nova. OPA, mulher nova pode até ser. (srsrsr – brincadeirinha). Mas não gente! A família segue junto, COM OU SEM defeitos.

Amigo, com dinheiro dá para melhorar, podemos mudar a casca SEM PROBLEMA, o que não podemos mudar é o CARÁTER, a DIGNIDADE. Isso não tem dinheiro que compre. Por isso meu filho, acho que você precisa rever seus CONCEITOS.

Domingo na missa vi uma família humilde, com vestes simples, a mãe com uma aparência judiada pelo tempo e pela falta de recursos, o filho, um jovem com síndrome de down. Num momento da celebração o jovem retornou ao banco e beijou carinhosamente sua mãe na face. Aquele gesto mexeu comigo. Me fez ver o quão grande e importante é o amor, o amor puro e verdadeiro. Pense nisso B.! Acho que você ainda pode se tornar um ser humano melhor, não só com outros, mas, com você mesmo.

Com carinho,
Lidiane Cattani Rabello - jornalista


Lidiane Cattani

Depois de conversas e conselhos sobre relacionamentos amorosos à amigas, Lidiane passou a publicar essas histórias e opiniões. Os artigos deram tão certo que já são três anos desse trabalho. A participação do leitor e as pautas sobre o assunto são muitas, o que garante boas histórias. A popularidade da coluna se justifica pelo fato dos leitores se identificarem com as situações e pela forma descontraída como a autora conduz as respostas. A maioria dos artigos são apimentados, o que aguça a curiosidade do leitor.

cattanirabello@hotmail.com