O mês de maio será marcado pelo julgamento de crimes que aconteceram há mais de 10 anos em Caçador e região. O primeiro júri, na sexta-feira, 10, será do réu Antônio Paulo Ribeiro da Silva, acusado de homicídio em 8 de fevereiro de 1996, em Rio das Antas. O segundo acontece no dia 25 e tem no banco dos réus o casal acusado de jogado o filho recém nascido em um açude, na comunidade do Cerro Branco, em fevereiro de 1998.
No primeiro caso, segundo os autos do processo, o crime aconteceu no bairro Novo Horizonte no dia 8 de fevereiro de 1996, por volta do meio dia. Antônio Paulo Ribeiro da Silva iniciou uma discussão com o seu desafeto Merci da Silva. Em determinado momento, ele sacou de um revólver calibre 32 e efetuou um disparo, o qual foi fatal. Antônio chegou a ser condenado pelo crime, mas foi solto e atualmente mora em São Francisco do Sul.
Já no segundo caso, de acordo com o processo, os acusados mantiveram um caso amoroso que resultou em uma gravidez inesperada. Eles não pretendiam assumir a criança. O crime foi praticado no dia 25 de fevereiro de 1998 na Linha Cerro Branco, na propriedade onde Susinéia Ribeiro Castilho trabalhava na época cuidando de uma idosa.
A mulher entrou em trabalho de parto no banheiro da casa e Alenor Alves das Neves a acompanhou todo o tempo. A criança veio ao mundo com perfeitas condições de saúde. O pai teria asfixiado a criança, jogando-a em um açude. Enquanto isso, Susinéia se encarregou de limpar os vestígios do crime.
No dia seguinte ao parto, Susinéia deu entrada ao Hospital Maicé com quadro hemorrágico grave. A polícia passou a investigar o caso e, em buscas na propriedade, encontrou o bebê no açude.
A advogada de dois dos três réus, Jucemara Thibes de Campos, foi procurada para comentar os casos, porém não foi localizada.
O juiz titular do Fórum da Comarca de Caçador, Yannick Caubet, explicou que quando chegou a Caçador haviam muitos processos engavetados. O magistrado avaliou os casos e marcou o júri. Alguns réus já foram até julgados, mas a defesa ou acusação entraram com recurso.
“Não posso afirmar ao certo a que se deve tanto tempo para que esses dois crimes fossem julgados, mas sou crítico em dizer que a Justiça é demorada, mas acontece. Um dos fatores de tantos processos parados é que Caçador ficou muito tempo sem um juiz titular e também um titular do Ministério Público”, explicou Yannick.
O juiz comentou que para agilizar os trabalhos marcou um júri a cada 15 dias até o final do ano.